Os brasileiros não têm muito domínio do inglês, e a taxa de conhecimento tem piorado. De um total de 100 países, o Brasil ocupou a 59º posição de um ranking global de proficiência do idioma, com 50,10 pontos. De 2017 para 2018, o país caiu seis posições no ranking EF EPI, que avaliou 2,3 milhões de pessoas no mundo. Pior que a taxa de conhecimento em queda, é o impacto disso no desenvolvimento profissional.

Por que o inglês é importante para a carreira? Ele abre portas para ascensão profissional e reconhecimento por parte dos gestores, afirma Alicia Goldsztejn Morata, analista de serviço e qualidade da Adecco, consultoria de recursos humanos.  “Ainda que não seja necessário para a atividade do dia a dia, pode ser interessante porque o profissional pode conseguir resolver uma questão sozinho. Isso gera reconhecimento”, analisa Alicia. Ela lembra que existem muitos softwares, sistemas, aplicativos e livros que ajudam a resolver problemas que estão em inglês.

Qual o nível adequado para o mercado de trabalho? Quanto mais fluente melhor, mas o nível de exigência depende muito do cargo que vai ser ocupado. Ter um inglês que permita ao profissional fazer perguntas, compreender conversas e textos básicos, e se fazer entender mesmo sem um vocabulário robusto, é fundamental. Esse nível, considerado intermediário, é suficiente para a maior parte dos trabalhadores – analistas,  operacionais, back-office.

A exigência é maior em cargos de gestão, principalmente em empreses multinacionais.  Nesses casos, um vocabulário mais extenso e alinhado ao negócio da empresa é imprescindível.

O certificado de proficiência é obrigatório? Na maior parte dos casos, não. Alicia conta que o nível de inglês é avaliado nas primeiras entrevistas de recrutamento, quando uma parte da conversa é feita em inglês e a avaliação é feita na hora.

Preciso de um curso profissionalizante? Na avaliação de Alicia, isso não é mais tão necessário assim. Hoje há intensivos e aulas de conversação online mais acessíveis que os cursos completos, e não necessariamente ensinam menos.

Sei inglês, mas está enferrujado. Como resolver isso? Essa situação é tão comum quanto o seu consumo de músicas e séries em inglês. Rodrigo Vianna, CEO da Mappit e especialista em vagas de início de carreira, sugere usar a própria indústria audiovisual para desenferrujar o idioma. Alicia complementa: “a dica é entender o que você precisa e começar a ver séries, ler jornais e vídeos que possam ajudar. Comece a ver um filme dublado ou com legenda em português para entender o contexto, e depois vá se ‘desmamando’, até assistir sem legenda.

Se tiver mais disciplina e quiser estudar, há inúmeros aplicativos, gratuitos e pagos, que ajudam na ampliação do vocabulário. Algumas sugestões: Linguoo, Duolingo, TedTalks.

Como está o Brasil nesse ranking em relação a seus pares na América Latina? Dos 19 países avaliados, o Brasil é o 12º, atrás de Argentina, Costa Rica, Uruguai, Chile, Cuba, República Dominicana, Paraguai, Guatemala, Bolívia, Honduras e Peru.

O que o país deveria fazer? A sugestão dos especialistas é alinhar a educação de inglês nas escolas ao tipo de demanda da comunidade empresarial. Isso ajudaria a ter pessoas mais funcionário fluentes, como fez o Uruguai. Dos entrevistados pela pesquisa da EF EPI, 87% disseram ter pago cursos de inglês após concluírem a educação regular, o que sugere que o ensino é fraco, de modo geral.

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