Muitos empreendem por paixão, mas o Brasil vivenciou nos últimos anos um empreendedorismo forçado, movido pelo intenso desemprego que atinge o país desde 2015. A explosão dos MEIs (microempreendedores individuais) é um reflexo claro desse movimento.

Acontece que a necessidade muitas vezes faz a oportunidade. Boas ideias transformam bicos em negócios maiores, cresce o número de novas empresas e os empreendedores precisam virar empregadores. Mas quem contratar? Como escolher quem vai trabalhar com você? Como conduzir esse processo?

Pensando em responder a essas e outras perguntas, o 6 Minutos ouviu Tiago Yonamine, CEO da Trampos, consultoria e plataforma de vagas. De acordo com o consultor, algumas regras de ouro dos recursos humanos valem para qualquer tamanho de negócio: é preciso entender a vaga antes de buscar a pessoa. Há vagas em que o melhor é apostar em um amigo ou familiar, enquanto em outras o ideal é ir atrás do mercado. Há ainda aquelas funções em que o melhor é buscar um serviço autônomo.

Saiba se é a hora de contratar alguém

“O divisor de águas é o momento em que você vira o gargalo do seu negócio. Em um dia você cuida das finanças, no outro você é o vendedor. Você tem que ir atrás de alguém quando a demanda é alta demais e as coisas deixam de andar porque você não consegue mais fazer todos os processos sozinhos”, avalia Yonamine.

O que você precisa: um fornecedor, um funcionário ou um sócio?

Essa é uma pergunta importante que o empreendedor deve se fazer. Porque são coisas bastante diferentes. Contabilidade é um exemplo. O empreendedor é capaz de gerenciar algumas contas sozinho, mas conforme o negócio cresce ele passa a precisar de alguém que o ajude a cuidar disso.

No entanto, uma necessidade é dimensionar: há a necessidade de um profissional exclusivo para a sua empresa ou essa pessoa precisa se dedicar apenas parte do tempo? Se sim, esse empreendedor precisa de um funcionário. Se não, de um fornecedor, um contador que preste serviço de forma autônoma. Vale lembrar que no caso de MEIs é permitido contratar apenas um funcionário.

Há uma terceira opção, que é a de você precisar de uma pessoa que esteja com você para fazer de tudo um pouco. Nesse caso, principalmente se você quer atrair pessoas boas do mercado, você pode ter que considerar buscar um sócio.

Preciso mesmo de alguém para trabalhar para mim. Por onde eu começo?

O primeiro passo é elaborar uma descrição para a vaga. O que esta pessoa vai fazer? É uma função de confiança, administrativa e/ou técnica? Quais são os atributos necessários? Da sua parte, quanto você pretende oferecer de salário e eventuais benefícios? Considere o quanto esta pessoa vai lhe custar mensalmente, o que também inclui impostos.

Uma vez formatada a vaga, parte do trabalho vai estar feita. Tradicionalmente, empreendedores buscam em suas redes de familiares e amigos, o que não está errado. Principalmente para uma posição de confiança, como gerenciar as finanças, ter uma pessoa de quem você tenha referências é importante.

No entanto, não esqueça: você pode abdicar de ter o melhor em finanças para ter alguém que você confia, mas ele ainda assim precisa saber minimamente como gerenciar as contas do seu negócio. Do contrário, você não vai resolver o problema da sua empresa e ainda vai ficar com uma saia justa, principalmente se for algum familiar ou amigo íntimo.

O que é mais importante: as referências ou o currículo?

Tiago Yonamine recomenda uma escolha ponderada entre esses dois fatores. O grau de importância a cada uma vai depender, como dissemos, do perfil desejado. Para uma função mais técnica, o currículo tende a pesar mais, o que é diferente de uma vaga onde a confiança é o principal.

As boas referências não dispensam uma análise apurada das competências técnicas, assim como um bom currículo não te impede de tentar acionar contatos em busca de impressões sobre determinado profissional.

Não é necessário colocar todos os ovos em uma única cesta. Para uma escolha ponderada entre referências e currículo, é possível considerar anúncios em plataformas de vagas e redes sociais ao mesmo tempo em que se pede indicações em grupos de pessoas próximas. O importante é tentar posteriormente cruzar. Entender o background e a trajetória que vem com um bom currículo e conhecer as competências técnicas de quem tem boas referências.

Para atrair bons candidatos, se coloque no lugar deles

Quem quer contratar um bom profissional, precisa ter em mente que deve oferecer atrativos para que essa pessoa aceite a vaga e permaneça com você. Em geral, esse atrativo é financeiro, como um salário alto, benefícios ou bonificações. Essa não é a realidade, no entanto, do empreendedor que está começando e tem um orçamento curto.

Se não é possível pagar bem, pelo menos no primeiro momento, vamos para as próximas opções. Se coloque no lugar do candidato e pense no que poderia fazê-lo aceitar a vaga.

Você acredita ter encontrado algo muito promissor e imagina que seu negócio pode decolar em breve? Diga isso, com argumentos concretos, e deixe claro que você vai recompensar quem acreditou em você no começo. Essa recompensa pode ser, por exemplo, com uma participação minoritária na empresa.

Outra possibilidade é se seu negócio é ligado a uma causa, como proteção dos direitos humanos ou do meio ambiente? Use isso. Cada vez mais profissionais colocam os seus propósitos e crenças na balança na hora de escolher uma empresa para trabalhar.

Apesar disso, é provável que você não consiga aquela pessoa dos sonhos logo no começo do seu negócio. Gerenciar as expectativas também é importante. Vale lembrar que não só é desejável, como também recomendável, que você se disponha a capacitar funcionários que cheguem com menos experiência e possam também crescer junto com a empresa.

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