Dois anos após a aprovação da reforma trabalhista, as empresas passaram a contratar um volume maior de funcionários terceirizados e temporários. A contratação de recrutador de TI e consultor comercial terceirizados cresceu mais de 200%, segundo levantamento da Page Interim, unidade de negócios do PageGroup.

De acordo com o estudo, o aumento aconteceu porque as empresas estão mais seguras em relação ao que a legislação permite ou não em relação a esse tipo de vínculo.

“Passados dois anos da reforma trabalhista, podemos dizer que as empresas estão mais seguras em relação a algumas possibilidades propostas pela nova regulamentação”, diz Maira Campos, diretora da Page Interim.

Como ela vê essa movimentação no mercado? Segundo Maira, esse tipo de contratação é bem comum em outros mercados. “É um tipo de movimentação que já era esperada há alguns anos por aqui, especialmente pelo que notamos em outros mercados onde atuamos, onde terceiros e temporários são contratados para muitos projetos.”

Os terceirizados e temporários têm os mesmos direitos dos contratados com registro em carteira? Sim. O terceirizado tem os mesmos direitos (13º salário, férias, por exemplo), o que muda é que seu registro é com uma empresa terceirizada, não com aquela para qual presta serviço. Já o temporário é contratado por um prazo específico de tempo. Ele entra já sabendo quando vai sair.

“Esse profissional tem as mesmas qualificações que aquele contratado pela CLT, com o diferencial de poder ser avaliado para uma necessidade específica”, analisa Maira Campos.

O que a reforma trabalhista mudou para esses contratos? A reforma trabalhista, que completou dois anos na última segunda-feira (11), abriu a possibilidade de contratar trabalhadores intermitentes (modalidade em que o empregado é remunerado apenas pelo período trabalhado), aumentou de 90 para 120 dias o prazo de contratação do temporário e liberou a terceirização de todas as atividades da empresa.

A reforma gerou empregos como se esperava? A meta era criar 6 milhões de empregos em dois anos com a reforma trabalhista, mas isso não se concretizou. Foram criados 962 mil vagas entre novembro de 2017 e setembro de 2019, segundo dados do IBGE – dentre elas, 12% para vagas intermitentes. A taxa de desemprego também variou pouco de lá para cá: de 12% para 11,8%.

Por que essa baixa geração de empregos? A culpa é da lenta recuperação da economia, segundo Tadeu Henrique Lopes da Cunha, procurador do trabalho e coordenador nacional de combate às fraudes nas relações de trabalho (Conafret) do Ministério Público do Trabalho. “A geração de empregos depende muito mais da economia do que da legislação. Economia lenta não cria emprego, pode mudar qualquer lei.”

Entre 2015 e 2019, o número de denúncias em relação ao trabalho terceirizado passou dos 4 mil em todo o país, conforme dados do Ministério Público do Trabalho. De acordo com o procurador, ainda é cedo para relacioná-las às mudanças na legislação.

Além disso, o Procurador do Trabalho chama a atenção para o aumento da informalidade (11,8 milhões de pessoas) e da precarização em algumas situações, como a expansão de dias para o trabalho temporário, segundo Lopes da Cunha “transformou o extraordinário em ordinário”.

Veja abaixo quais os cargos mais buscados para posições de temporários e terceiros:

Cargo: recrutador de TI
O que faz: Realiza o recrutamento técnico e especializado para a área de T.I.
Salário: R$ 3 mil a R$ 10 mil

Cargo: consultor & coordenador comercial
O que faz: Atua como desenvolvedor de negócios, expandindo a base de clientes para oferta dos produtos à venda. Compõe a força de vendas junto ao time de vendas internas, algumas vezes realizando também o processo inicial de qualificação do funil e também gestão de equipe em posições de coordenação ou superior.
Salário: a partir de R$ 3 mil + variáveis

Cargo: vendas internas
O que faz: São aceleradores do processo comercial: fazem desde o mapeamento dos tomadores de decisão para qual ocorrerá a venda, prospectando novos parceiros de forma qualificada, como também entrando em contato ou agendando reunião com a equipe comercial, ou operando diretamente na venda e negociação.
Salário: R$ 2,5 mil a R$ 4 mil

Cargo: analista de customer service/experience
O que faz: Atua desde a pré-qualificação nos canais de atendimento, mapeando problemas recorrentes e gargalos de atendimento, como também no entendimento de necessidades e expectativas dos clientes quanto aos produtos e serviços ofertados durante os atendimentos. A capacidade de trazer insights e criar soluções é um ponto altamente diferencial.
Salário: R$ 2 mil a R$ 5 mil

Cargo: analista de Departamento Pessoal
O que faz: Supervisiona e realiza as atividades do departamento pessoal: fluxos de admissões e rescisões, controle de ponto eletrônico, preparação da folha de pagamento, organização de documentações etc.
Salário: R$ 2 mil a R$ 8 mil

Cargo: analista de qualidade
O que faz: É aquele profissional responsável pela realização de auditorias internas e externas dos produtos que seguem ao mercado, elaborando normas e procedimentos, além de identificar não-conformidades.
Salário: R$ 3 mil a R$ 6 mil

Cargo: analista contábil
O que faz: Realiza a conciliação contábil, trabalhando com elaboração de demonstrações financeiras e atendimento à auditoria.
Salário: R$ 3 mil a R$ 8 mil

Cargo: analista fiscal
O que faz: É responsável por toda a cadeia de rotina fiscal, seja em apoio ou execução: cálculo e apuração de impostos diretos e indiretos, geração de guias de recolhimento, conferência de cálculos, entrega de obrigações (Sped Fiscal e Dime) e validação documental.
Salário: R$ 3 mil a R$ 7 mil

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