A crise do coronavírus está tirando o sono dos CEOs e donos de negócios. Decisões difíceis precisam ser tomadas a todo instante. E não há respostas certas para todas as dúvidas que surgem. Como também não há nenhuma certeza sobre o tamanho da crise e de quanto tempo será necessário para as coisas voltarem ao normal. Em momentos como esse é que alguns executivos procuram o psicoterapeuta Luiz Fernando Garcia, autor do livro Empresários no Divã.

“Eles [líderes] nunca viveram uma crise como essa. Já passaram por momentos difíceis, mas não com o senso de urgência de resposta que essa crise exige. Decisões sobre reestruturar todo o modelo de trabalho, horário. Agora, não tem mais o sair de casa, agora a casa é o local de trabalho. Alterou toda a rotina”, diz Fernando.

Como os empresários reagem a momentos como esse? Segundo ele, as reações acontecem em um ciclo. Primeiro, há uma paralisia, falta de reação. Depois, a negação do problema, vem então uma luta contra aquela realidade, a fuga e a negociação. “A pessoa perde o senso de urgência, é uma reação normal do cérebro. Depois, não acredita que aquilo será tão grave, então se irrita, briga em casa, fica perdida. Depois negocia com ela mesmo uma solução e assimila um novo jeito de funcionar”, diz o psicoterapeuta.

Quais foram os problemas que mais deram dor de cabeça aos executivos? Primeiro, foi a decisão de colocar os funcionários em home office. Em muitas companhias, existe uma certa desconfiança a esse modelo de trabalho. Outra escolha difícil foi a de aderir ou não à MP que cortava salários e reduzia a jornada dos funcionários, com consequente garantia de estabilidade no trabalho.

Que lições ele dá para os executivos em grupos de orientação? Fernando ensina algumas técnicas a seus alunos que os ajudam a lidar melhor com pequenas situações do cotidiano:

  • Organizar na sexta-feira a rotina da próxima semana
  • Estabelecer um cronograma para a casa também
  • Criar metas para serem alcançadas no curto prazo
  • Criar um bom ambiente de trabalho
  • Não ficar mais do que duas horas na mesma atividade

Por que essas técnicas melhoram a gestão? Fernando diz que a meta é sobreviver até o almoço, por isso não adianta estabelecer metas de longo prazo. E que organizar a rotina, e conseguir cumprir o planejado, libera uma sensação de satisfação. Ele afirma que o rendimento cai quando se passam muitas horas na mesma atividade.

“Quando o líder se angustia, o colaborador também fica inseguro. Por isso, crie demandas específicas para amanhã, isso traz segurança para todos no trabalho”, diz Fernando.

O que dizem os participantes do grupo montado por Fernando?

Fabio Massao Kawauchi, 45, é presidente do Sanfra Group, empresa de desembaraço aduaneiro. Assim que a crise começou, uma de suas dificuldades envolveu a decisão de adotar o home office.

“Um dos paradigmas era fazer home office. Lidamos com muita documentação e sempre esbarrávamos nessa questão de como trabalhar remoto com tantos papéis originais. No final, colocamos os funcionários em home office e funcionou muito bem”, disse Fabio.

Mas um desafio maior surgiu logo depois: o de reduzir a jornada, antecipar férias de funcionários e, num segundo momento, cortar colaboradores. “Diariamente tenho a preocupação de como vai ser o dia de amanhã. Preocupação de perder mais funcionários, de precisar levantar capital de giro para suportar a operação.”

Francisco Drummond Junior, 45 anos, é CEO da Tino Construtora e Incorporadora. Logo no início da pandemia ele precisou fechar todos os estandes de venda da construtora e demitir funcionários.

Junior diz que participar do GD (Grupo Dirigido) foi essencial para tomar decisões que foram tomadas desde que a crise começou.

“Primeiro, bate aquela culpa sobre mandar embora pessoas que você conhece. Mas você consegue tomar essa decisão porque sabe que ela é necessária para a sobrevivência da empresa. Depois, com os estandes fechados, migramos nossa operação para o digital. Aí dá uma sensação de que tudo vai dar errado, mas é preciso entender que isso é uma fase e vai passar. Então assimilamos o processo e partimos para a retomada”, afirma o CEO.

Segundo ele, conhecer como o cérebro e o corpo reagem a situações como essa ajudam a reagir melhor em situações de crise. “Quando você percebe que a paralisia está chegando, dá para reagir com mais agilidade.”

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