O home office tem se tornado realidade cada vez mais presente em empresas do País, visto com bons olhos por funcionários, por conta da flexibilidade, e por empresas, por conta da economia de custos. No entanto, a flexibilidade que leva ao engajamento dos colaboradores é a mesma que pode fazer com que os profissionais trabalhem além da conta quando estão em casa. É preciso disciplina.

Segundo levantamento realizado entre julho e agosto deste ano pela empresa de recrutamento Robert Half, 43% dos entrevistados dizem ter hoje a opção de trabalhar remotamente e 81% afirmam que trocariam o emprego atual por outro com as mesmas condições se houvesse a possibilidade de home office.

Quais são as vantagens para o empregador? Apesar de alguns gestores apresentarem resistência à ideia – 18% têm receio da perda de produtividade e 14% sofrem com insegurança jurídica -, as vantagens para a empresa parecem ser claras. Além de representar economia com transporte, energia elétrica, manutenção de estações de trabalho e vale-refeição, por exemplo, 34% dos colaboradores que trabalham à distância dizem que a produtividade é maior.

Para o consultor em gestão, governança corporativa e planejamento estratégico Uranio Bonoldi, o trabalho remoto é parte do futuro. “Com a evolução das ferramentas, das tecnologias e da inteligência artificial, o home office será uma realidade cada vez mais presente, por permitir maior flexibilidade.”
Para o sistema dar certo, diz ele, o segredo é um só e vale para os dois lados: disciplina. “A empresa deve estabelecer uma relação de confiança com o colaborador e monitorar os resultados. Já o profissional deve distribuir o tempo entre trabalho, lazer e descanso, medindo a entrega de acordo com seu contrato”, esclarece.

Para qual tipo de profissional o home office funciona? De acordo com Maiti Junqueira, gerente de Desenvolvimento de Talentos da América Latina da Consultoria LHH, profissionais em cargos que exigem mais concentração podem se dar bem com o home office.

Essa também foi a constatação de pesquisa feita em 19 países pela ADP, provedora global em soluções de gestão do capital humano e folha de pagamento. O estudo apontou que os colaboradores que trabalham remotamente são mais engajados do que os que ficam no escritório: são 29% dos trabalhadores “virtuais” de um mesmo time totalmente engajados, ante 18% dos que permanecem na sede da empresa.

Por outro lado, o engajamento pode significar uma doação maior do funcionário ao trabalho, extrapolando horas de serviço. Segundo a pesquisa da Robert Half, 34% dos funcionários disseram que o maior problema do home office é que se trabalha mais do que se estivesse na própria empresa.
“Por mais que, hoje em dia, extrapolar as horas trabalhadas seja uma questão organizacional comum, determinar um horário de início e fim para o home office é importante, assim como paradas no meio do dia”, alerta Maiti.

Como otimizar o trabalho a partir de casa? “Não se renda à solução cama, pijama e laptop. Isso destrói todo o propósito da flexibilidade”, aconselha Patricia Faria, de 35 anos, coordenadora de comunicação interna em uma empresa de consultoria e auditoria de transações corporativas. Ela tem direito a um dia por semana de home office e se adaptou ao sistema. “Procuro planejar meu dia de trabalho como se estivesse no escritório e faço uma lista do que pode ser feito para usufruir da mobilidade”, conta.

Criar um ambiente propício também é fundamental: mesa e cadeira adequadas, além de um espaço mais reservado e silencioso da residência para possíveis vídeo-conferências. “É uma mudança de mindset que exige postura profissional”, observa a consultora.

A organização da rotina também deve ajudar a evitar as distrações de casa – 61% dos entrevistados pela Robert Half disseram que apenas “às vezes” sentem que são mais produtivos trabalhando remotamente.

Como a empresa pode preparar os funcionários? Na empresa de planos odontológicos OdontoPrev, que lançou seu programa de home office em 2018, os funcionários recebem ajuda para maximizar o trabalho remoto. “Todos passam por um treinamento sobre ergonomia, organização do tempo e do espaço e metodologia kanban (de produtividade) para organizar e acompanhar a evolução das tarefas”, diz a diretora de RH Rose Gabay.

A mudança na cultura organizacional foi bem recebida por Valéria Oliveira, de 39 anos, consultora de atendimento que há seis meses trabalha em casa às terças e sextas. Nos dias de home office, economiza de 2 a 3 horas de deslocamento pela cidade.

“Trabalhar duas vezes por semana em casa me trouxe mais motivação até nos dias que vou para o escritório. Dá um gás. Me sinto menos cansada, mais produtiva.” Além da economia em combustível e pedágio – Valéria vive na zona sul de São Paulo e a empresa fica em Alphaville -, o custo de energia elétrica teve baixo impacto nas contas. O ganho maior está no tempo.

“Eu termino o expediente no mesmo horário do escritório, mas em 15 minutos estou na porta da escolinha para buscar minha filha”, diz. Ela também conseguiu incluir mais dias de academia na rotina e, por estar em casa, passou a cuidar melhor da alimentação. “Me sinto mais relaxada e minha disposição melhorou muito”, conta.

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