O isolamento social provocado pela pandemia de coronavírus trouxe novos dilemas para as empresas. O primeiro foi saber se dava para manter o mesmo nível de atividade colocando a maioria da equipe para trabalhar de casa. Passados quase 60 dias, a resposta é sim: o home office se mostrou eficiente. O novo dilema é descobrir quando e como será o retorno da força de trabalho para dentro dos escritórios.

Algumas empresas já sinalizaram que o home office poderá ser o novo normal para sempre. O CEO do Twitter, Jack Dorsey, disse que os funcionários que desejarem poderão trabalhar de casa para sempre, desde que a função que exerçam permita o trabalho remoto.

No Brasil, a XP informou que o home office será a nova rotina da empresa ao menos até o fim do ano, com esse prazo podendo ser ampliado de forma permanente. Entre os motivos alegados para a tomada dessa decisão estão qualidade de vida, sustentabilidade e eficiência.

Mas será que esse modelo será o novo normal? A resposta dessa equação precisa considerar vários fatores, segundo especialistas ouvidos pelo 6 Minutos. Entre as variáveis que entram nessa decisão estão o tipo de atividade prestada, o tamanho da empresa e sua cultura.

“Que o home office vai crescer, isso não tenho dúvida. Mas não dessa forma tão drástica como anunciada pelo Twitter”, disse Lucas Papa, gerente sênior da Michael Page. “Essa transformação mais radical leva um tempo para ocorrer.”

Veja o que será levado em conta

Precisa oferecer condições de home office ao funcionário

Papa diz que a adesão massiva ao home office foi feita meio de qualquer jeito por algumas empresas, já que havia emergência de mandar os funcionários para casa. “Precisa oferecer uma estrutura compatível [para uma mudança dessa]. Não é para pegar qualquer cadeira, qualquer tela, qualquer mouse. As empresas vão ter que oferecer um mínimo de condição para o home office”, afirma Pappa.

Depende da área de atuação

O home office para todo mundo não é para todo tipo de empresa. Amanda Adami gerente sênior de recrutamento da Robert Half, diz que depende da área de atuação da companhia. “Fica mais complicado para uma empresa com perfil mais produtivo, indústria. Mesmo o setor corporativo dessas companhias precisa estar na fábrica, não dá pra fazer de casa.”

Os trabalhadores dos serviços considerados essenciais continuam sem muita opção de trabalhar de casa. “O pessoal do comércio e da saúde, por exemplo, não consegue desempenhar suas funções remotamente”, afirma Bianca Machado, gerente sênior da Catho.

Análise complexa

Bianca diz que a decisão de ampliar o home office precisa considerar não só a satisfação dos funcionários, mas também a dos clientes. “Acho prudente que cada uma faça uma análise do seu processo de produção, da cultura da empresa e da satisfação do cliente com esse modelo de trabalho.”

Os funcionários querem esse home office para sempre? Eles até querem, mas não exatamente para todos os dias da semana. Pesquisa da IT’s Informov mostra que 70% gostariam de trabalhar pelo menos um dia da semana dentro da empresa:

  • Uma vez por semana: 20%
  • Duas vezes por semana: 33%
  • Três vezes por semana: 13%
  • Quatro vezes por semana: 4%
  • Cinco vezes por semana: 18%
  • Não tem opinião formada: 18%

Quanto tempo as pessoas economizaram trabalhando de casa? De acordo com a pesquisa, elas deixaram de perder 1h30 no percurso de ida e volta, em média, ao trabalho.

Quais os pontos positivos do home office? Os pesquisados citaram como ponto positivo ter mais tempo para a família, flexibilidade, economia, não usar transporte público.

E quais os pontos negativos? As queixas foram sobre instabilidade dos meios de comunicação, distrações, queda da sinergia, falta do contato social, dificuldades tecnológicas, falta de disciplina, interrupções dos familiares e falta de contato entre departamentos.

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