Os cargos de chefia estão encolhendo no Brasil. Dados pesquisados pelo 6 Minutos no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram que, na última década, 1,2 milhão de vagas de gerentes e supervisores desapareceu no país.

Esse processo vem ficando mais intenso de cinco anos para cá. Somente neste ano, entre janeiro e maio, 325,9 mil postos de trabalho de gerência e supervisão foram extintos.

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Isso tem a ver com a crise da economia? Em parte, sim. Nos últimos anos, como forma de redução de custos, as empresas têm colocado mais subordinados sob o guarda chuva dos mesmos gerentes ou supervisores.

Muitas companhias, por exemplo, resolveram fundir áreas ou departamentos para diminuir suas despesas em tempos de baixo consumo.

“Quando o mercado está em recessão ou crescendo menos do que deveria, o profissional acaba acumulando funções, com a extinção de algumas cadeiras sem tanta relevância para o negócio”, afirma Gabriel Santos, gerente sênior da Talenses, consultoria de recrutamento executivo.

Mas há alguma outra razão para essa redução? Sim. Nos anos 90, quando era comum que grandes empresas tivessem até 20 níveis diferentes de hierarquia, teve início um processo batizado de horizontalização.

Isso quer dizer que o uso cada vez maior da tecnologia foi permitindo que o mesmo trabalho fosse executado de forma mais simples, em menos etapas, requerendo menos chefes e tornando a estrutura mais horizontal. Atualmente, esse número de níveis de hierarquia se reduziu para cinco, em média.

“Antes era necessário mais supervisão e controle. Mas, cada vez mais, você acaba tendo processos mais automatizados, e não precisa ter gestores dedicados a determinadas tarefas”, aponta Santos.

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Isso quer dizer que quase não haverá mais gerentes e supervisores no futuro? Não. “O nível gerencial sempre vai existir. O gerente de equipe com muita gente abaixo dele ainda vai ter espaço nessa posição”, diz Santos.

A tendência, entretanto, é que esses cargos peçam, cada vez mais, profissionais com maior flexibilidade e dinamismo. “O que acontece hoje é que os gestores são responsáveis por mais áreas e são mais ligados ao negócio em si do que a questões técnicas”.

Ele lembra que hoje em dia muitos profissionais são gestores não de equipes, mas de processos implementados através da tecnologia. Ou seja, não possuem subordinados, mas coordenam sistemas, por assim dizer. “Em muitos casos, eles têm salário equiparável ao de gerentes ou supervisores, apesar de seus cargos não terem esse nome”.

Fui chefe muito tempo e estou procurando emprego. O que fazer? Ser antenado, aberto a mudanças e fazer curso de um terceiro idioma, além de especializações, é um bom começo.

Além disso, preparamos algumas dicas para você com a ajuda do diretor geral do Linkedin para a América Latina, Milton Beck. Veja abaixo o que ele tem a dizer.

Empresas menores e startups podem ser um caminho

“Companhias menores e startups tendem a ter planos de carreira menos complexos, valorizando o mercado em vez de formar os talentos dentro de casa. Além disso, companhias assim tendem a ser mais flexíveis, o que facilita uma contratação fora do convencional.”

Networking importa  

“Além das entrevistas formais, marcar cafés para atualizar a conversa e contar seus planos para colegas de diferentes empresas e épocas da vida pode ajudar a encontrar uma oportunidade.”

Se a idade não é relevante, não toque no assunto

“No caso de uma entrevista, se a idade não é relevante, a recomendação é não focar nela. Muitos entrevistados reforçam a distância entre eles e os potenciais colegas quando fazem comentários como ´quando você nasceu, eu já tinha cinco anos de experiência´. É mais produtivo focar naquilo que o aproxima da companhia.”

Mesmo experiente, mostre interesse em aprender

“Um dos aspectos mais importantes em uma empresa é que os funcionários estejam motivados a aprender. Se um candidato indica por exemplo, que gostaria de ter mais tempo com os netos, é provável que o entrevistador desanime. Deixe claro seus interesses, demonstre vontade de se superar e ampliar, ainda mais, sua bagagem.”

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