Sabe aquela sensação de que o tempo voou e você nem percebeu? Ela era bem comum já antes da quarentena. A surpresa é que agora, com todo mundo dentro de casa e com poucas opções de atividades para gastar o tempo, essa sensação está mais presente do que nunca.

Por que o tempo continua voando? Porque a nossa forma de viver e se colocar no mundo não mudou, explica a socióloga Crislaine de Toledo, professora da Faap. A única coisa que realmente mudou foi o tempo gasto na locomoção de um lugar a outro. O consumo de internet, acesso à informação e vontade de saber cada vez mais coisa, continuam os mesmos – se não maior.

O que está acontecendo agora? “Não estamos vivendo no nosso tempo e no nosso espaço”, constata a socióloga. Com a pandemia e a curiosidade por saber o que está acontecendo e até onde tudo isso vai, até estamos com o corpo em um lugar, mas com a cabeça em fatos, lugares e espaços distantes.

O home office piora a sensação de tempo voando. No trabalho, há intervalos e cafés entre uma reunião e outra. Respiros, encontros, risadas. Em casa, a gente emenda uma reunião na outra e segue o fluxo.

Ainda há escassez de novos encontros e sensações físicas, como passar uma tarde com amigos. As atividades da semana e os finais de semana estão parecidos, e para o cérebro é como se um dia emendasse no outro e há pouco o que se recordar sobre eles.

Como faço para o tempo não voar? Você precisa saber quais são suas referências de “usar bem o tempo”. É preparando um bom jantar? Limpar a casa ouvindo música? Deitar na rede ou no chão?  “A falta de significado claro é o que dá a sensação de angústia e que o tempo passou e você não aproveitou”, explica Crislaine.

O próximo passo é verbalizar em palavras e identificar símbolos que te lembrem dos significados que lhe sejam mais importantes. “Quando coloca em palavras, dá sentido e ordena sua realidade de acordo com o tema”. Isso ajudar a repensar a rotina e ajustar as atividades obrigatórios ou poucas horas livres ao que faz sentido para você.

Mas afinal, por que o tempo voa dentro ou fora da quarentena? Segundo a socióloga, por três razões principais:

  1. O tempo do deslocamento não é aproveitado. Ficamos no carro ou no ônibus por horas, e não desfrutamos do tempo. É um período “vago”, que no fim do dia sentimos que ficou perdido.
  2. Comunicação e internet nos colocam em muitas realidades ao mesmo tempo. Sim, pode ser bom saber o que acontece na China, na Itália, na casa do amigo. Mas ficamos expostos a muitas informações em pouco tempo, e sensação que fica é “muita coisa aconteceu e eu não fiz nada”. Na prática, nem dá para fazer nada mesmo porque os fatos estão em outra cidade ou país.
  3. Vontade de consumir dá a sensação de querer completar algo que não está aqui.A gente fica no presente planejando como adquirir algo no futuro – ainda que seja amanhã.

Desses três pontos, em tempos de quarentena, só o deslocamento ficou de lado, certo? Precisamos usar esse tempo para limpar a casa, preparar a comida, ajudar na tarefa do filho. São ações importantes e legítimas para o autocuidado e relações familiares. Mas são obrigações, e o tempo continua sendo gasto com elas.

Falta tempo para perceber o que é importante além da própria rotina pessoal-profissional.

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