Você faz parte daquela parcela cada vez mais rara da população que trabalha com carteira assinada em uma empresa que oferece uma lista imensa de benefícios? Plano de saúde, vale-refeição e vale-alimentação são apenas os itens básicos do pacote. O cardápio pode contar ainda com Gympass, previdência privada, estacionamento e outras coisinhas mais. O que você pode não saber é que algumas dessas corporações estão aderindo ao chamado plano de benefícios flexíveis.

Como assim? O que são benefícios flexíveis? De uma forma bem simplificada, é permitir que o funcionário defina o seu próprio cardápio de benefícios de acordo com suas necessidades. Ou seja, ele pode optar por reduzir o valor que recebe em vale-refeição para ter direito a um plano de saúde mais caro, por exemplo. É o colaborador que vai definir quanto quer receber por cada serviço.

“O benefício flexível surge para começar a atender necessidade individual de cada colaborador. A empresa determina uma cesta e o colaborador pode escolher o que for mais conveniente dependendo da etapa da vida em que está. Uns podem querer ganhar dinheiro, pensar na aposentadoria, outros querem um plano de saúde melhor”, diz Mariana Dias, diretora de produtos e consultoria da Mercer Marsh Benefícios.

Existem muitas empresas que oferecem benefícios flexíveis? Não, ainda são poucas. A Mercer Marsh Benefícios estima que existem de 35 a 40 empresas no país com benefícios desse tipo. Mas esse número pode crescer. Pesquisa da consultoria mostra que 17% pretendem trabalhar com benefícios flexíveis nos próximos dois anos.

“É uma tendência para grandes empresas que querem inovar e que olham a necessidade de cada trabalhador. Elas querem que o trabalhador tenha a percepção do benefício que está está recebendo. Quando ele escolhe, consegue dar importância e mensurar o valor de cada um”, diz Mariana.

Quais são os benefícios que costumam entrar nessa flexibilização? Além daqueles que costumam ser garantidos por convenção coletiva de trabalho, há outros como vale-creche, auxílio-combustível, previdência privada, auxílio-educação, descontos na compra de medicamentos e de óculos, além de incentivo à atividade física (Gympass, por exemplo). Outros são mais raros, mas entram no cardápio, como check-up médico, vale-cultura e restaurante no local de trabalho.

Pode dar um exemplo real de quem já implantou esse tipo de benefício flexível? A Takeda Brasil, da área de medicamentos, implantou há dois anos o sistema de benefícios flexíveis. “A gente tem um cardápio e o colaborador pode escolher fazer um downgrade ou upgrade do plano de saúde. Se ele fizer o downgrade, pode receber um vale-combustível maior. Se abrir mão do estacionamento, pode melhorar o vale-refeição”, explica Veronika Falconer, diretora executiva de recursos humanos da Takeda Brasil.

Mas o que a empresa ganha com isso? Tem alguma redução de custo? O espírito do benefício flexível não é esse. “Quando a gente respeita a preferência de cada um, melhora a percepção de valor do benefício. Não podemos tratar todos da mesma forma, pois as pessoas são diferentes e têm necessidades diferentes”, afirma Veronika.

Mas existe algum ganho indireto? A diretora de recursos humanos da Takeda diz que esse tipo de política envolve não apenas os seus funcionários, mas as suas famílias. Eles levam a definição do cardápio de benefícios para casa e discutem com seus cônjuges. “A empresa gasta muito com benefícios e a pessoa não usa. Se pensar que vamos gastar a mesma coisa, mas agora o funcionário vai usar, então existe um ganho”, diz Veronika.

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