Em busca de uma agenda social, o governo Bolsonaro definiu quais serão os públicos prioritários dos programas do governo para a área: os “jovens nem nem” e crianças de até cinco anos. A intenção foi divulgada pelos ministros da Cidadania, Osmar Terra, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, durante evento promovido em São Paulo pelo Grupo Voto.

O que são “jovens nem nem”? Esse é o termo pelo qual são conhecidos brasileiros de 18 a 29 anos que não estudam e nem trabalham. Ao 6 Minutos, o Ministério da Cidadania afirmou que a pasta estima que 4 milhões de pessoas estejam nessa situação.

E qual é o plano do governo para esses jovens? A prioridade, segundo o ministro Osmar Terra, é a capacitação profissional. No mês passado, a pasta assinou um acordo de cooperação técnica com a CNI (Confederação Nacional da Indústria).

O ministro da Cidadania, Osmar Terra

O ministro da Cidadania, Osmar Terra
Crédito: Wagner Pires/Futura Press/Estadão Conteúdo

A expectativa é que o governo invista R$ 2,3 bilhões, destinados a financiar 800 mil vagas no programa, que vai abarcar áreas de qualificação profissional oferecidas pelo Sesi (Serviço Social da Indústria), rede educacional ligada à CNI. Os jovens serão selecionados pelo Ministério da Cidadania e encaminhados ao Sesi. A escolha será entre os inscritos em programas sociais, como o Bolsa Família, agregados no chamado Cadastro Único do governo federal.

Por que o governo vai investir nisso? Para Terra, o Bolsa Família não é suficiente para promover desenvolvimento social. Na avaliação do ministro, o governo precisa entrar em jogo para dar uma alternativa de educação para os jovens que estão em famílias inscritas no programa e que hoje são “exército reserva do crime organizado”.

E para as crianças? O ministro da Cidadania citou a intenção de adotar um programa em que espaços públicos, como quadras e até quartéis de forças de segurança, possam ser adaptados para a oferta de atividades extracurriculares no contraturno das escolas, como aulas de esporte, teatro e dança.

Já o ministro Onyx Lorenzoni diz estar em andamento conversas com editoras para a doação de livros, com a intenção de ampliar a rede de bibliotecas públicas com livros para crianças. Segundo o chefe da Casa Civil, a preocupação nesse caso é reduzir a diferença de vocábulo que o governo vem identificando entre crianças de famílias com mais e com menos condições socioeconômicas. “A criança aprende a aprender até os cinco anos”, argumentou.