Cada vez mais empresas se rendem aos benefícios do home office para a ampliar a produtividade dos funcionários. Em situações de caos, como o temporal que caiu na semana passada em São Paulo ou a epidemia de coronavírus na China, a adoção do trabalho remoto permitiu que muitas companhias continuassem operando mesmo sem que os funcionários conseguissem sair de casa.

Mas o home office vem sendo adotado por muitos outros motivos. Pesquisa da consultoria Robert Half elencou os principais benefícios citados pelas companhias que implantaram o trabalho remoto: atender a uma demanda dos funcionários por mais flexibilidade (39%), aumentar a produtividade (24%), devolver a autonomia do colaborador (16%) e até mesmo reduzir o número de pessoas dentro da empresa (12%) — sim, custa dinheiro ter um funcionário trabalhando no escritório.

O home office também funciona como política de retenção de funcionários. De acordo com a pesquisa, 81% dos entrevistados trocariam de emprego por outro em que tivessem a possibilidade de trabalhar de casa, mesmo sem aumento de salário. “A gente tem bem claro que se falarmos em trabalho presencial, muito colaborador vai sair da empresa”, afirma Daniel Sgambatti, CEO da Kludo (startup de soluções de gamificação voltadas para treinamento de colaboradores), que implantou o home office em abril de 2019.

O desafio de ficar desconectado

Mas nem tudo são flores entre os funcionários que trabalham em home office. “A principal motivação para quem quer trabalhar em home office é ter um melhor equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional. Mas 38% que trabalham remotamente dizem que não conseguem aproveitar melhor o tempo livre”, disse Winston Kim, gerente regional de contas da Randstand citando dados de uma pesquisa realizada pela empresa.

Por que ocorre dessa desconexão entre o que se deseja e o que se consegue do home office? Para Kim, esse sentimento é reflexo da dificuldade que as pessoas têm de se desconectar do trabalho. “Existe o ônus e o bônus de conseguir trabalhar de casa. Poder realizar suas tarefas a qualquer momento pode levar algumas pessoas a ficarem reféns do trabalho. Elas não conseguem se desconectar e ficam o tempo todo pressionadas.”

Principais desafios do trabalho remoto

A pesquisa da Robert Half elencou quais os principais desafios:

  • Trabalhar mais do que se estivesse na empresa: 34%
  • Distrações: 32%
  • Desconfiança do superior com o andamento das atividades: 20%
  • Infraestrutura inadequada: 14%

E como superar os desafios do home office?

Uma das incertezas é sobre o andamento do trabalho do funcionário que está em casa. O CEO da Kludo diz que isso se resolve de um jeito até simples: definir de uma forma bem clara o que é responsabilidade de cada funcionário. “Todo mundo sabe o que os outros estão fazendo, quais são as metas estabelecidas e os prazos previstos de entrega. O home office exigiu um maio detalhamento do que cada um faz”, disse.

Outro desafio é vencer é garantir o engajamento dos funcionários que estão em casa. Com o passar do tempo, alguns passam a sentir falta da convivência social com outros colegas de trabalho. “Percebemos que a produtividade aumentou, mas o engajamento foi caindo. Para mudar isso, passamos a realizar reuniões presenciais e happy hour com os funcionários remotos”, afirma Daniel Sgambatti.

A Kludo também recorre a reuniões diárias online em horários predefinidos e conta com um canal de voz que fica aberto o tempo inteiro. “Se o funcionário estiver sentindo de conversar com alguém, trocar uma ideia, ele pode usar esse canal”, diz Sgambatti.

E como resolver essa situação de trabalhar mais do que deve?

Kim, da Randstad, também defende uma maior clareza do que se espera das partes quando o assunto é home office. “Se as regras ficarem bem claras, tanto empregado quanto empregador sabem o que esperar de cada lado”, diz o gerente.

Uma das dicas da Page Personnel para essa questão é fazer um alinhamento de expectativas. Para isso, é preciso ficar claro na política de home office o que a empresa espera das pessoas. “Exemplo clássico: cuidar de crianças ou fazer viagens. É importante atentar-se a estas questões e deixar claro a divisão de responsabilidades. O empregador precisa orientar se é preciso estar conectado o tempo todo, quanto tempo de refeição o colaborador terá e explicar em quais dias os profissionais poderão fazer uso do benefício”, diz Lucas Oggiam, gerente sênior da Page Personnel, consultoria global de recrutamento.

Quer tirar suas dúvidas sobre o Imposto de Renda? Você pode mandar suas perguntas para o e-mail [email protected]. Quem nos segue no WhatsApp também pode mandar sua dúvida. Se você quiser entrar no grupo, esse é o link: https://6minutos.com.br/whatsapp.