Um relatório divulgado pelo banco Goldman Sachs revela que os efeitos negativos do coronavírus sobre os mercados financeiros foram disseminados. No entanto, a bolsa de valores brasileira foi a que acumulou a maior queda entre 33 bolsas mundiais.

Pode contar um pouco mais? Entre os dias 17 de janeiro e 20 de março, o mergulho das ações negociadas em bolsa foi de 52%. Embora a nosso tombo tenha sido o maior entre os principais mercados, países emergentes como Indonésia, África do Sul e Rússia amargaram resultados parecidos.

Por que fomos piores? O relatório do Goldman dá pistas sobre por que a crise foi amarga para o Brasil. A primeira é que a bolsa brasileira passou por uma revolução nos últimos anos. Cresceu o número de empresas listadas, e a composição por setor também ficou mais diversificada.

Além disso, a queda na taxa de juros fez com que parte dos investidores (especialmente os locais) migrassem para ativos com maior retorno, principalmente para os de renda variável. Em outras palavras: aumentou o volume de dinheiro aplicado no mercado.

O relatório observa que os gestores de investimentos estavam excessivamente posicionados em ativos brasileiros. Embora essa exposição estivesse sendo reduzida desde o ano passado (especialmente entre os estrangeiros), a chegada da crise do coronavírus causou uma debandada, o que explica a queda acentuada não só das ações, como de outros investimentos brasileiros.

A participação de investidores estrangeiros no mercado financeiro ficou abaixo dos 20% pela primeira vez desde 2009.

A entrada de recursos no mercado acionário registrou o menor valor desde 2013, período que marcou a véspera da reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff. Os números do relatório elaborado pelo banco mostram que o desempenho do Brasil foi bem pior do que o dos outros emergentes.

Mas não foram só as ações que sofreram. O mesmo relatório diz que os títulos privados de crédito encolheram 12% e os títulos públicos caíram 20% — a comparação é em dólares, e leva em conta o mesmo período de 17 de janeiro a 20 de março.

A depreciação da nossa moeda não explica parte disso? Sim. Segundo os dados levantados pelo Goldman Sachs, o real foi a quarta moeda que mais se desvalorizou durante o pânico causado pelo coronavírus, no mercado. A perda acumulada, frente ao dólar, foi de 23%.

Só perderam mais valor o peso mexicano, o rublo russo e a coroa norueguesa.

A crise atual é comparável com alguma outra? A última queda tão profunda da bolsa foi registrada entre maio e novembro de 2008, no auge da crise econômica mundial. No período, as ações de empresas brasileiras recuaram 70%.

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