Estou no sétimo dia de home office e desde o primeiro momento percebi que não seria fácil dar conta do meu trabalho habitual, das tarefas domésticas e dos cuidados com o filho de 8 anos. Sim, tenho só um, mas acho que vale por três.

Os primeiros dias, quando a escola mandou apenas algumas revisões, até que foram tranquilos – mas agora tem conteúdo novo. A gente acordava no horário habitual, por volta das 7h, tomava café, eu cuidava da casa e ele ficava jogando no celular. Por volta das 10h, eu me conectava para trabalhar e orientava ele a assistir a programas de TV ou brincar (longe das telas).

Por volta das 12h, eu parava para almoçarmos juntos. A nova rotina de isolamento social começou a incomodar: em 40 minutos, tenho que lavar a louça, limpar o fogão e passar pano na cozinha. Sei que poderia fazer isso depois, mas em tempos de coronavírus fiquei mais apreensiva com questões de limpeza.

Aí vem a parte da tarde. Eu fico tocando minhas matérias e ele fica livre, leve e solto vagando pelo YouTube. Ou jogando sei lá o quê e com quem (bate o sentimento de culpa pela minha negligência). Vez ou outra, estou em uma entrevista por telefone e ele surge do nada pedindo ajuda com alguma senha ou porque acabou o papel higiênico.

Só que como a gente não sai mais de casa, não toma sol nem se exercita, também fiquei paranoica com alimentação. Então venho perdendo tempo demais com o preparo das refeições, e isso inclui o café da tarde dele – tarefa que não existia antes, já que no mundo pré-pandemia ele estaria na escola e eu no trabalho.

Me viro nos 30 para arrumar um tempo entre uma entrevista e outra por telefone para fazer esse café e voltar para o trabalho. Mas o filho fica entediado e começa a me chamar, pedir atenção. Vou ter que aturar isso até umas 19h, quando tento encerrar meu trabalho. E é aí que começa mesmo a parte puxada: vou fazer lição com ele, dar janta e tentar ainda brincar um pouco. Para piorar, agora a escola manda conteúdos novos, alguns que eu não faço ideia do que se tratam, e sou eu sozinha para ensinar.

Nos primeiros dias, até tentei me exercitar. Não tenho nenhum equipamento nem corda, tapete, elástico ou pesinhos. Fui fazer flexão e ele subiu nas minhas contas. Tentei fazer agachamento e ele puxou minha perna. Para ele é tudo brincadeira, fazer o quê? Moral da história: desisti (desculpa, teacher Carol).

Tá fácil? Não, não está. Tento respirar, contar até dez e ver o lado positivo das coisas. Primeiro, sei que isso vai passar. E segundo, percebo pequenas evoluções na autonomia dele: leva o prato e o copo para a pia sem que tenha que pedir, arruma a cama logo que acorda e começou a ir se deitar sozinho. São coisas insignificantes para a maioria, mas importantes para mim. E no campo profissional, sou grata por ser jornalista, pois acho que temos um papel fundamental nestes tempos de coronavírus.

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