A Enel, distribuidora de energia que atende a capital e a região metropolitana de São Paulo, retomou nos últimos dias leitura dos relógios de luz dos consumidores. Ao receberem a fatura de junho, muitos paulistas tomaram um susto: em alguns casos, a conta de luz triplicou ou quadruplicou.

Nas redes sociais, muitos consumidores reclamaram dos reajustes e cobraram explicações da Enel. Veja abaixo:

De acordo com o Procon de São Paulo, o número de reclamações mais do que quadruplicou desde a semana passada. Além das queixas em relação aos valores das contas, muitos consumidores têm relatado dificuldade para contatar a Enel nos canais telefônicos.

O que diz a empresa de energia? Em nota, a Enel atribuiu os reajustes à retomada da leitura individual dos relógios. Durante a pandemia, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) autorizou as distribuidoras a fazer a cobrança das contas pela média de consumo dos últimos meses. Os consumidores podiam, ainda, fazer a própria leitura, enviando uma foto do relógio para a distribuidora de energia.

Com a retomada da leitura dos relógios, a empresa reajustou a conta de quem teve um consumo maior do que a média dos meses de quarentena. “A diferença, a maior ou a menor, entre o valor da conta faturada pela média e o real consumo de energia no período será compensada automaticamente, quando a leitura voltar a ser efetuada”, disse a distribuidora, em nota.

Questionada pelo 6 Minutos, a assessoria de imprensa da Enel disse que essa diferença será cobrada integralmente em uma parcela. Ou seja, não haverá cobrança de valores retroativos nas próximas contas.

Meu consumo de energia caiu durante a pandemia. O que fazer? Alguns consumidores acabaram pagando mais do que deveriam nos últimos meses, por causa da regra da leitura pela média de consumo. É o caso, por exemplo, de quem se mudou e deixou o imóvel vazio, ou o de lares em que o número de moradores diminuiu.

Estabelecimentos e comércios que ficaram fechados por causa da quarentena também foram penalizados pela falta de leitura, pois o consumo de energia foi reduzido, mas a cobrança foi feita baseada em um cálculo de consumo de meses anteriores — meses em que o funcionamento estava normal.

Nesses casos, a conta de junho deveria vir com o apontamento da diminuição do consumo, e com um crédito a ser abatido na fatura do mês. No entanto, são poucos os casos em que esse abatimento de fato ocorreu. Esses consumidores também devem registrar reclamações.

Como posso reclamar? O Procon-SP orienta os clientes que não sofreram os abatimentos ou que tiveram aumentos superiores a 30% a registrarem reclamações formais no site ou no aplicativo Procon.SP. “Feito o registro, o consumidor deve aguardar o resultado da análise para só assim efetuar o pagamento da conta”, orienta a entidade de proteção ao consumidor.

As contas questionadas serão auditadas e enviadas para a análise da Enel. Para enviar a reclamação, o consumidor deve ter em mãos a conta de junho e as contas dos meses anteriores. Se for constatado que houve um reajuste abusivo, a Enel deverá retificar a fatura e enviar uma nova conta com os valores corretos, sem cobrança de multa ou juros.

E se o cálculo estiver certo? Nesse caso, o pagamento deverá ser feito após a análise do Procon. Juros e multas não poderão ser cobrados.

Já paguei a conta, posso reclamar? Sim. Caso a conta de junho já tenha sido paga, o cliente pode registrar a queixa da mesma forma. Se for constado um reajuste indevido, o valor deverá ser abatido nas próximas faturas.

Como posso pagar? A Enel informou que permitirá o parcelamento da conta de energia deste mês, com condições especiais. A dívida poderá ser parcelada em até 8 vezes, com desconto mensal nas próximas contas de energia, ou em até 12 vezes no cartão de crédito. Não serão cobrados juros ou acréscimos.

Para parcelar, é necessário pagar no mínimo 13% do valor total da conta atual. O pedido de parcelamento pode ser feito no Portal de Negociação ou no aplicativo da Enel.

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