O sonho do home office virou realidade para milhares de pessoas da noite para o dia. O que não estava combinado com elas é que o trabalho remoto seria exercido em uma nova rotina de confinamento domiciliar com direito a tudo o que vem junto nesse combo: filhos, cônjuges, pets, tarefas domésticas, internet instável e, principalmente, o medo de ser contaminado pelo coronavírus. Ou seja, praticamente um pesadelo.

“A fantasia do home office era conseguir uma flexibilidade para equilibrar a vida pessoal com a profissional. Mas o que estamos vivendo hoje não tem nada a ver com essa idealização. É um trabalho remoto forçado que pode desestabilizar as pessoas”, diz a psicóloga Karina Stryjer, gerente de promoção de saúde da It’sSeg, terceira maior corretora de seguros do país. “Não é home office, é confinamento.”

Mas home office não é um benefício? Não era para todos estarem felizes? Não é bem assim. Karina Stryjer explica que o home office obrigatório foi adotado pelas empresas para proteger seus funcionários do coronavírus e não como uma política de flexibilidade do trabalho. Só que a sensação de risco dispara nas pessoas um estado de alerta que se sobrepõe à provável vantagem de ficar em casa.

“É um home office mandatório, não tem como escapar dele, pois preciso me resguardar. Isso dispara o instinto de sobrevivência, que nos ajuda a escapar de perigos, mas também nos deixa em permanente estado de alerta”, diz.

O que fazer então para não ser atingido por esse fluxo negativo? Veja abaixo dicas da psicóloga para você atravessar esse período de pesadelo sem prejudicar sua vida pessoal e profissional:

  • Saiba que está tudo bem, não é só você que está estranhando esse momento: as pessoas se viram, de repente, tendo que organizar toda a vida de dentro de casa (trabalho, tarefas domésticas, filhos, ensino, compras). A dica para enfrentar essa sobrecarga é se organizar. “Não pode abrir mão de ter uma disciplina com horários de sono e alimentação, que são necessários para garantir a sobrevivência.”
  • Reduza (e filtre) o consumo de informações: escolha um canal confiável para se informar sobre o coronavírus (como o Ministerio da Saúde ou veículos respeitados) e assista ao noticiário apenas uma vez por dia. “Se puder, não assista à noite para não prejudicar o sono.”
  • Tente ver o lado positivo das coisas: “Tenho sugerido que as pessoas façam um diário do confinamento, que resgatem sonhos que deixaram para trás, algumas estão até reatando relacionamentos. Isso é positivo para o cérebro.”
  • Faça exercícios: A gente sabe que é difícil, mas Karina afirma que é bom se mexer para liberar hormônios que nos dão a sensação de bem-estar. Mas se não conseguir, tudo bem, não se culpe, se lembre que o confinamento vai acabar um dia.
  • Busque manter contato com os amigos: Não é porque você está isolado que precisa se isolar. Use aplicativos e programas de reuniões e mensagens para se mante em contato com os parentes e amigos. “Monte uma rede de apoio.”
  • Faça atividades que te relaxam: tente fazer coisas que te deixam feliz, como cozinhar planar, cuidar de animais, jogos. “Essas atividades trazem relaxamento”, diz. A meditação também entra nessa categoria, pois traz relaxamento.
  • Pense no outro: Karina diz que as pessoas também ficam melhores com elas mesmas quando ajudam o outro. “Aproveite esse momento para ajudar as pessoas do seu prédio que não podem se locomover, por exemplo.”
  • Busque ajuda: se achar que a barra está pesando demais, procure ajuda. Já há consultas e terapias à distância.

E o que tudo isso tem a ver com meu desempenho no trabalho? Para Karina, o desempenho profissional está diretamente ligado à saúde física e mental das pessoas. Se uma coisa for mal, as outras podem sair prejudicadas.

O desempenho pode cair então? A psicóloga diz que a rotina de confinamento é nova e imprime uma dinâmica totalmente diferente para a produtividade. “O ritmo de trabalho vai cair, principalmente se as pessoas não estiverem seguras.”

E o que as empresas têm a ver com tudo isso? Karina diz que o papel do líder é fundamental neste momento. “Ele que vai fazer a diferença para cuidar da saúde emocional da equipe, não deixar a peteca cair. O líder vai ser importante para dar segurança à equipe.”

Quer tirar suas dúvidas sobre o Imposto de Renda? Você pode mandar suas perguntas para o e-mail [email protected]. Quem nos segue no WhatsApp também pode mandar sua dúvida. Se você quiser entrar no grupo, esse é o link: https://6minutos.com.br/whatsapp.