O Magazine Luiza divulgou um documento nesta terça-feira (dia 7) relatando quais estratégias adotará para passar pela crise causada pelo coronavírus. Entre as informações anunciadas, a varejista afirmou que vai aderir às condições de redução de jornada e de salários de funcionários, que cortará salários de executivos e que reforçará a rede de parceiros no marketplace.

Como a redução dos salários dos funcionários será feita? O Magalu não diz quando e nem quantos funcionários serão afetados pela medida. Também não diz qual será o percentual da redução salarial e de jornada.

“Estamos fazendo um planejamento exaustivo para os próximos meses, a fim de determinar a abrangência e as modalidades dos instrumentos previstos na MP que serão aplicados”, diz o comunicado da varejista.

A decisão partiu da edição de uma Medida Provisória pelo governo federal que permite a redução de até 70% dos salários de trabalhadores formais e a suspensão temporária de contratos de trabalho. Essa matéria explica melhor o que prevê a MP.

O que a empresa ofereceu aos trabalhadores? Em contrapartida, alguns benefícios foram ampliados, como o pagamento em dobro do auxílio-creche para cerca de 5 mil funcionárias, e o aumento da remuneração de trabalhadores das áreas de logística e distribuição, que estão atuando de forma mais ativa na crise.

A empresa diz, no entanto, que 20 mil funcionários foram colocados de férias, após o fechamento das lojas. O comunicado diz que as mais de 1.000 lojas só serão reabertas quando houver segurança de que a saúde dos funcionários e dos clientes não estão em risco, e que a varejista está monitorando a situação do coronavírus em todas as cidades que têm lojas físicas da marca.

No comunicado, a varejista reforçou o compromisso de não demitir durante a crise.

Quais outras decisões o Magalu tomou? O salário dos altos executivos também foi reduzido. Os rendimentos do presidente da empresa, Frederico Trajano, e do vice-presidente de operações, Fabricio Garcia, foram cortados em 80%. Ambos são herdeiros das famílias fundadoras da varejista.

Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza

Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza
Crédito: Felipe Rau/Estadão Conteúdo

Os salários dos diretores foram reduzidos em 50%, e os dos membros do conselho de administração em 25%.

Ainda não se sabe qual será a política de distribuição de dividendos e de outros rendimentos para os acionistas. Haverá assembleias em julho para decidir o assunto.

O Magalu diz que está buscando renegociar contratos com os fornecedores, com o objetivo de reduzir custos e de postergar alguns pagamentos. Ainda de acordo com a empresa, os fornecedores menores serão menos penalizados.

Isso inclui as empresas parceiras, que vendem no marketplace? Sim. No comunicado, a varejista disse que está ampliando o contato com autônomos e pequenos empreendedores que tiveram que fechar as suas lojas físicas. O objetivo é integrá-los à plataforma 0n-line, para que eles continuem a vender.

“Em poucos dias, mais de 10.000 varejistas e 100.000 pessoas físicas passaram a fazer parte do ecossistema Magalu. Não queremos ser parceiros só na crise. Queremos que eles fiquem conosco quando a vida de todos começar a voltar a normal. E que eles possam se transformar com isso”, pontua o comunicado.

Além disso, a empresa diz que está reforçando a disponibilidade de itens na categoria de mercado — aqui entram os alimentos e os itens de higiene, por exemplo. O frete para a entrega desses produtos tem sido custeado pela própria varejista.

Para ampliar a agilidade das entregas de outros itens, as lojas físicas, mesmo fechadas, estão se transformando em pequenos centros de distribuição. Como o produto sai de um lugar mais próximo do comprador, a entrega é mais barata e rápida.

Por que essas atitudes estão sendo tomadas? O Magazine Luiza disse que tem uma situação confortável, no ponto de vista de liquidez. Isso significa que o caixa da empresa está abastecido, e que as dívidas estão sob controle. No entanto, a empresa disse que é necessário tomar atitudes para preservar esses recursos, que somam cerca de R$ 7 bilhões.

“É dever da liderança da empresa preservar ao máximo o caixa da empresa — tanto por não termos uma visão clara da dimensão e da extensão da atual crise, quanto para estarmos financeiramente preparados para a retomada econômica e as oportunidades de negócios que surgirão com ela”, afirma o comunicado.

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