As grandes cidades brasileiras têm concentrado o maior número de casos de coronavírus contabilizados em território nacional. Obviamente, por terem uma densidade populacional maior e por receberem um número grande de voos internacionais, as capitais foram as primeiras a ser atingidas pela pandemia, e devem ser, também, as mais afetadas pela crise sanitária.

A lógica do risco maior e da menor tranquilidade tem feito muitos cidadãos das capitais almejarem um estilo de vida mais calmo, e quem já tinha planos de se mudar para o interior está colocando as ideias em prática. O 6 Minutos pediu aos principais portais de anúncio de imóveis para levantar os dados de buscas de propriedades no interior. Veja os destaques:

  • De acordo com o portal Imovelweb, a busca por imóveis rurais subiu 52% entre fevereiro e março neste ano, revelando que já no início da pandemia houve uma aceleração acentuada nessa procura. Quando comparados os meses de março de 2020 e março de 2019, a busca aumentou 124%
  • A Lopes, maior imobiliária brasileira, apontou um aumento de 63% na busca por imóveis rurais desde o início da quarentena. Em um ano, a procura subiu 336%.

Quais localidades foram mais buscadas? A grande maioria das buscas foi para cidades no interior do estado de São Paulo. Nos dados da Lopes, os imóveis rurais em Barueri, Campinas, Itupeva, Valinhos, Vinhedo, Itatiba e Araraquara foram os que reuniram mais interessados. Já no Imovelweb os destaques ficaram com as cidades de Bragança Paulista (avanço de 146% nas buscas), Campinas (+23%) e São José dos Campos (+99%).

E os alugueis? Um levantamento feito pela OLX tratou da busca por imóveis para locação, no interior. No Rio de Janeiro, essa procura aumentou 20%, e no interior de São Paulo houve um aumento de 9%. As cidades que mais atraíram foram Sorocaba e São José do Rio Preto, em São Paulo; e Petrópolis e Volta Redonda, no Rio.

Mas o que, afinal, são esses imóveis rurais? Tanto o Imovelweb quanto a Lopes levam em consideração apenas os imóveis fora das cidades. Aqui estão incluídas casas de campo, casas de condomínio, chácaras, terrenos, loteamentos etc. Não entram na conta apartamentos nas cidades do interior, por exemplo.

Por que o interior virou objeto de desejo? A pandemia certamente tem um peso relevante nessa decisão, como já pontuamos inicialmente. No entanto, o medo de pegar o coronavírus não é o único responsável pela migração para um estilo de vida mais tranquilo.

“As pessoas estão presas em casa por causa da pandemia, então o espaço e o lazer que um imóvel no interior oferece podem tornar a quarentena mais tolerável”, diz Paulo Sérgio Pinheiro, sócio e diretor-executivo da Lopes.

Além disso, diz ele, muitas empresas devem adotar o home office daqui para a frente, principalmente considerando que levará um tempo até que a normalidade retorne. A migração do ambiente de trabalho para dentro de casa já está produzindo uma demanda por imóveis maiores, mas o sossego de mudar-se das grandes cidades é um bônus.

E o preço? Nas cidades, mais espaço significa um custo maior, já que o metro quadrado tem um valor elevado. No entanto, um imóvel grande no interior pode ter o mesmo preço de um pequeno apartamento bem localizado em uma capital. “Quando você pensa em cidades como Jundiaí e Itupeva, tem uma série de residências com piscina, de três ou quatro dormitórios, pelo preço de um apartamento pequeno na Oscar Freire, em São Paulo”, exemplifica Pinheiro, da Lopes.

Ele lembra que antes da pandemia, os imóveis compactos estavam em alta, e que os fatores mais importantes eram a localização próxima ao trabalho e às áreas de lazer, e a ampla oferta de serviços nos prédios. “Mas agora até as áreas de lazer dos condomínios estão fechadas”, pontua o diretor-executivo da imobiliária.

Começar do zero. A Lopes realizou um feirão on-line de imóveis, com 82 empreendimentos participantes — metade no interior e metade na capital de São Paulo. Os campeões de venda foram dois loteamentos no interior do estado. “Foi uma iniciativa que nos ajudou muito, porque as vendas gerais estão caindo”, conta Pinheiro. Ele diz que o sucesso levou a Lopes a oferecer outros loteamentos na segunda fase do feirão on-line.

Por ser uma empresa de capital aberto, a Lopes não divulga de forma antecipada seus dados de vendas. No entanto, o diretor-executivo contou que a crise já chegou aos números da empresa. As vendas no interior ajudam a diminuir o estrago, mas são insuficientes, por ter menor volume.

“Os estandes de vendas em São Paulo estão fechados, mas os lançamentos no interior continuam acontecendo. Esse segmento é certamente mais animador que a capital”, diz o diretor-executivo da empresa.

E como é o financiamento desses imóveis? Apesar da busca, vale lembrar que terrenos independentes ou em loteamentos não podem ser financiados por bancos. Em geral, as próprias incorporadoras oferecem algum tipo de linha de crédito para a aquisição da unidade. Essa composição costuma ser de uma entrada que parte de 15% do valor total, e o saldo financiado em até 240 meses (20 anos).

“Esse tipo de crédito não tem a atratividade da taxa de financiamento atrelada à Selic, como os bancos oferecem, mas o tíquete é menor. Os terrenos são bem mais baratos que as unidades prontas, e o dono pode construir a casa dos sonhos aos poucos”, conta Pinheiro, da Lopes.

Já os imóveis prontos, como casas em condomínio, chácaras e casas de campo podem ser financiadas pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação). A questão é que os bancos costumam oferecer taxas menos atrativas, principalmente se esse for o segundo imóvel do proprietário.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu WhatsApp? É só entrar no grupo pelo link: https://6minutos.com.br/whatsapp.