A Fecombustíveis, federação que representa postos de combustíveis no Brasil, já teme uma “quebradeira geral” diante de uma queda severa nas vendas causada pela redução do fluxo de veículos no país.

Segundo o presidente da entidade, Paulo Miranda, as cidades com mais de 300 mil habitantes já têm uma redução média de 50% na venda de combustíveis. A redução nas vendas é consequência das medidas adotadas por autoridades de restrição de deslocamento para combater a expansão do novo coronavírus pelo Brasil.

O que quer o setor? A Fecombustíveis já enviou ao governo federal ofícios requerendo alguns auxílios, dentre eles a suspensão da cobrança de impostos federais dos postos até que o mercado volte ao normal.

Segundo Paulo Miranda, presidente da Fecombustíveis, a ideia seria que os impostos eventualmente suspensos — dentre eles PIS/Cofins — fossem pagos posteriormente com juros.

“Nós estamos informando isso para o governo: se não houver uma ajuda por parte do governo, pelo menos na questão dos impostos, com certeza terá uma quebradeira geral”, disse Miranda.

“Muitos postos não vão conseguir… Se o cara não conseguir pagar as contas dele, de repente ele consegue isso durante um, dois ou três meses, depois ele não aguenta mais e fecha.”

Redução de encargos trabalhistas. A Fecombustíveis, que representa cerca de 42 mil postos revendedores de combustíveis de todo o território nacional, também pediu medidas que reduzam os encargos trabalhistas e garantias de que a distribuição de combustíveis não seja impedida por questões logísticas em rodovias do país, como o fechamento de fronteiras estaduais determinadas por alguns governadores.

Miranda defendeu ainda a suspensão de contratos de trabalho. Funcionários teriam direito a algumas compensações financeiras nesse período. Segundo ele, a mão-de-obra nos postos — locais onde é obrigatória a contratação de frentistasv– representa cerca de 40% do custo operacional.

Alguns pedidos feitos pelo setor de combustíveis foram atendidos recentemente pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que flexibilizou o horário obrigatório de abertura dos postos e também reduziu a necessidade de estoques de distribuidoras.

Por que os preços só caem nas refinarias? Isso não ajudaria nas vendas? Miranda também comentou uma cobrança feita nesta quarta-feira pela Petrobras. A estatal afirmou esperar que os cortes de 40% no valor dos preços da gasolina na refinaria desde o início do ano cheguem aos consumidores finais, nos postos de combustíveis.

Segundo pesquisa da agência reguladora ANP, até a última sexta-feira a gasolina havia tido queda de somente 1,6% no acumulado do ano, na média de todo o Brasil.

O presidente da Fecombustíveis afirmou desconhecer a metodologia da pesquisa da ANP e afirmou que a concorrência é grande no varejo e que as quedas praticadas em refinarias demoram, em média, de 10 a 15 dias para chegar à bomba, dependendo de diversos fatores, como o consumo de estoques.

“Eu só posso baixar o preço que a Petrobras baixou hoje na hora que eu vender esse estoque que eu paguei mais caro, ou então tomo prejuízo”, afirmou.

O empresário ponderou que, com uma queda de 50% nas vendas, pode ser que algum elo da cadeia opte por reter um pouco de margem, já que o custo operacional será o mesmo, mas com uma receita bem inferior.

(Com Reuters)

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