O coronavírus começou a se espalhar pelo Brasil em março e logo medidas de isolamento social foram adotadas. Mais de três meses já se passaram, a quantidade de casos resiste em cair e boa parte das pessoas têm medo de sair de casa.

Por outro lado, vai ficando cada vez mais difícil ficar distante dos amigos e familiares que não moram na mesma casa. “A condição de isolamento e redução da mobilidade impactam na saúde dos jovens, dos adultos e principalmente dos idosos”, afirma a geriatra Silvia Lagrotta, que também é especialista em vida saudável.

A boa notícia é que dá para fazer um meio termo. A má notícia é que é preciso fazer uma pequena análise antes. Dá para sair um pouco de casa e encontrar alguns amigos enquanto vacina e medicamentos não ficam disponíveis. Mas isso só é possível nas regiões em que a taxa de contágio (Rt) é menor que 1, o que significa que uma pessoa infectada, ainda que assintomática, vai transmitir o vírus a não mais que uma única outra pessoa.

Já nos casos em que Rt é maior que 1, ainda que seja 1,03, a epidemia está descontrolada e sair de casa é arriscado demais, garante o infectologista e epidemiologista Bruno Scarpellini.

Como saber qual o Rt da cidade? Esse é o ponto mais delicado. A taxa não é divulgada diariamente porque não é específica como o número de casos e mortes. Na segunda quinzena de junho,  já no processo de reabertura do comércio nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, a taxa no Brasil era 1,06, com tendência de alta.

É por isso que o processo de reabertura da economia recebe tantas críticas. Ele começou antes da pandemia estar controlada. Por outro lado, a baixa adesão às medidas de isolamento tardaram o controle da doença no país e obrigaram que municípios e estados estendessem a quarentena.

Afinal, qual o protocolo para o meio termo? O 6 Minutos conversou com a geriatra Silvia Lagrotta e os infectologistas Bruno Scarpellini, mestre pela Universidade de Pittsburg e doutor pela Unifesp, e Pedro Mendes, do hospital Samaritano, em São Paulo. Nos casos em que a taxa de contágio estiver abaixo de 1, veja o que dá e não dá para fazer:

Abraçar: Não pode. Contatos muito próximos ainda são bem arriscados. “Se um abraço ou um beijo em quem não é da mesma casa escapulir, melhor ficar isolado por 15 dias”, diz Silvia.

Viajar de avião: Só quando for mesmo necessário. Mas, se precisar, use duas máscaras e cuidado para não colocar a mão no olho, nariz ou boca. E tenha álcool gel por perto.

Encontrar os amigos: Pode, se for com uma distância equivalente a dois braços, como recomenda esta cartilha do CDC (Center for Disease Control and Prevention), ligado à OMS (Organização Mundial da Saúde). O uso de máscara é obrigatório e o protetor fácil (face shield) é recomendado. Prefira espaço ao ar livre ou próximo a janela.

Não dá para encontrar qualquer amigo. É importante saber se ele esteve muito próximo de alguém contaminado ou se está exposto ao vírus. Aqui a honestidade de contar qual a real situação da pessoa importa! Se seu melhor amigo estiver na linha de frente de combate ao coronavírus ou andando muito por ai, é melhor esperar um pouco mais antes de encontrá-lo. Se ele for de uma região ou cidade onde o contágio está mais acelerado, é melhor postergar o encontro também.

Ir para restaurante, cafeteria ou bar? Se for a la carte e com muita cautela, ok, diz Mendes. “Dá para sentar sozinho em uma mesa, os garçons usam máscara e o risco de contágio é mais controlado quando não é self-service”. Se o local estiver lotado, não entre, ressalva a geriatra Silvia.

Mas quanto ao bar, o risco é alto e Mendes afirma que é melhor não ir. Ele explica que nosso cérebro tende a minimizar os perigos e frequentemente pensa “comigo não vai acontecer”. Além disso, no bar a gente bebe, ri, se distrai e acaba baixando a guarda.  Daí a dividir um petisco é um pulo e o risco de contaminação aumenta muito.

Ar condicionado ou janela aberta? Janela aberta e ar livre,  sempre. Ventilação natural é importante.

Atividade física: só em espaços abertos ou arejados, e com pouca gente. Silvia dá o exemplo da Take Care, sua clínica no Rio de Janeiro. O espaço é um centro de prevenção e reabilitação de pacientes de qualquer faixa etária. Na pré-pandemia, ficavam cerca de 10, 15 pessoas em um mesmo horário. E havia ar condicionado.

Agora, todas as janelas ficam abertas e estão autorizadas no máximo três pacientes por vez, com pelo menos 1,5 metro de distância  entre eles.

Cuidados ao voltar para casa: sapatos devem ficar do lado de fora da porta, registra Silvia. As roupas precisam devem ir direto para a lavanderia e todo o cuidado é pouco para não sentar no sofá ou na cama com a roupa que foi para a rua.

Atenção com quem está a seu redor: você e seus amigos podem ser cuidadosos, mas se por perto e estiver um outro grupo que não respeita as recomendações, é melhor você se afastar. Se Rt é menor que 1, sair de casa pode ser uma opção desde que seja acompanhada do que acontece ao seu redor.

Em tempo: o risco de contágio é cumulativo. Quanto mais se expõe, maior a chance de contágio. Por isso, caso decida sair, escolha o que realmente é necessário e seja importante para você e sua vida familiar e círculo de amizades.

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