Apenas em São Paulo, o Carnaval registrará a marca recorde de 644 blocos inscritos para desfilar durante todo o período, que vai do final de semana anterior ao posterior ao feriado. A combinação de aglomeração de milhões de pessoas com o consumo de bebidas alcoólicas acende o alerta vermelho para o risco de golpes.

Segundo um levantamento do SPC Brasil, dois em cada dez dos entrevistados que pretendem consumir no Carnaval deste ano afirmam terem sofrido golpes diversos nos festejos do ano passado. O destaque fica para roubo, furto ou perda de telefones celulares, dinheiro, cartões e documentos pessoais.

Pensando nisso, o 6 Minutos reúne dicas importantes de entidades de defesa do consumidor, empresas e associações, além de experiências e ciladas nas quais este repórter que vos fala já se meteu, para que os riscos sejam evitados ao curtir a folia nos próximos dias.

Fraudes com cartão de crédito no Carnaval

Basicamente, todas as modalidades de golpes envolvendo cartão de crédito no Carnaval acontecem no momento em que o consumidor entrega seu cartão ao vendedor ambulante para pagar uma compra realizada.

É neste momento que o consumidor pode ser levado a pagar um valor diferente do que o combinado ou até ter o cartão trocado por um similar falsificado. De posse do cartão, o falso vendedor pode utilizar o número de série, o código de verificação atrás e até a senha do consumidor (caso ele tenha conseguido ver no momento em que foi digitada) para fazer compras.

Por este motivo, a Visa recomenda a preferência pelo pagamento por aproximação, seja com cartões, celulares ou outros dispositivos. “Auxilia na prevenção, já que o meio de pagamento não sai da sua mão, evitando que falsos vendedores troquem seu cartão em um momento de distração”, diz a empresa.

A Proteste sugere que os clientes colem um adesivo ou similar que diferencie o cartão de outros similares e cogite apagar os três números que ficam impressos no verso do plástico e são usados na internet. É importante frisar, no entanto, que estes números precisam ser necessariamente anotados nesse caso.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) recomenda que o cliente solicite sempre a via da compra com o cartão e ative os serviços de notificação por SMS ou e-mail a cada compra. Assim, caso algo ocorra, o cliente descobrirá o quanto antes e poderá tomar as medidas necessárias. Você também deve cogitar sacar dinheiro em espécie, mesmo que uma quantia reduzida, para pagamentos em momentos de maior aglomeração e correria, quando aumenta a desatenção.

Repassando as dicas:

  • Atenção redobrada em compras com cartão. Verifique o valor, principalmente o número de zeros (se você comprou uma cerveja por R$ 5, é mais fácil se enganar caso o valor inserido pelo vendedor seja R$ 50 ou R$ 500, que parecem semelhantes a um olhar desatento). Caso precise entregar o cartão ao vendedor, verifique imediatamente ao receber de volta se aquele cartão é o seu mesmo.
  • Ative serviços de aviso de compras por SMS ou e-mail. Ao reparar que seu cartão possa ter sido roubado, avise imediatamente seu banco ou fintech e registre um boletim de ocorrência.

Roubo e furto de celular

No Carnaval de 2019 em São Paulo, mais de 5.400 celulares foram roubados ou furtados. Ou seja, há um risco implícito ao levar o celular para o bloco. Muitas vezes é necessário, seja para conseguir chamar um carro por aplicativo de transporte ou para conseguir encontrar pessoas que se percam na multidão, o que recomenda a adoção de outros cuidados.

É claro que no caso de um roubo com violência, há pouco que se possa fazer e a recomendação de segurança é sempre não reagir. No entanto, a maior parte das ocorrências (3.800) foram por furto dos aparelhos. Em uma aglomeração, carregar o celular no bolso é um risco. Quando você perceber que alguém pegou pode ser tarde demais.

Uma dica prática é usar doleiras ou pochetes que fiquem coladas ao corpo e sejam de mais difícil acesso a alguém mal intencionado. Este repórter perdeu não um, mas dois celulares no Carnaval do ano passado.

O segundo foi de uma forma um tanto exótica, mas o primeiro foi levado após ser utilizado em meio a uma aglomeração. Não adiantou nada ele ter ficado todo o tempo anterior guardado. Então, fique atento também no momento em que você decidir manusear. Aquela tentativa de story no Instagram pode sair cara.

Antes do Carnaval. Para se prevenir, adote senhas de proteção de tela, o que é recomendável sempre, é claro. Mas além de criminosos terem estratégias para desbloquear o aparelho, ele também pode ser roubado desbloqueado (não que isso tenha acontecido comigo, é claro).

Antes de sair de casa, tenha anotado os aplicativos que você possui instalados, para conseguir mudar todas as senhas de forma rápida em caso de alguma ocorrência. Além disso: é essencial que você tenha anotado o código IMEI do seu celular.

Este código é uma série de números única do seu celular, como o chassi de um carro. Ele será necessário para que você consiga bloquear o aparelho. Para descobrir o IMEI, basta digitar *#06# no aplicativo de ligação.

Em contas essenciais, como e-mail, arquivos e principais redes sociais, outra dica é colocar o número de celular da recuperação da conta como o telefone de outra pessoa, como um amigo próximo ou parente. Assim, o criminoso não poderá assumir essas contas pedindo códigos de recuperação de senha por SMS, por exemplo (de novo, nada que tenha acontecido com este repórter).

Já aconteceu. E agora? Bom, a primeira coisa é ligar para a operadora, informar o IMEI e bloquear o aparelho. Com o celular inutilizado, você segue para a contenção de danos. Primeiro, registre o boletim de ocorrência, que só poderá ser feito pela internet em caso de furto simples.

Na sequência, bloqueie aplicativos e altere senhas, começando naturalmente por aqueles que envolvem dinheiro, como as de bancos, fintechs e e-commerces. Também se atente às redes sociais e busque avisar amigos e contatos do roubo, para evitar variações de outros golpes, como o do WhatsApp.

Considere a contratação de um seguro, principalmente se o seu telefone é de um modelo mais caro ou se você ainda está pagando. Esse serviço é oferecido por todas as principais operadoras, seguradoras e também por fintechs. Importante olhar duas coisas: um eventual período de carência e a cobertura, uma vez que há variações em relação a casos de roubos, furtos e danos físicos.

Dica bônus. Como escrevi lá em cima, perdi dois celulares no Carnaval do ano passado. Além do que foi furtado, o segundo queimou depois de molhar. Sim, não subestime as chuvas de verão que caem todo ano e encharcam os foliões.

Considere a possibilidade de levar uma capa de chuva de casa ou comprar uma antes de começar a chover. Primeiro, porque esse é um produto que inflaciona a depender do clima (já vi uma capa passar de R$ 2,50 para R$ 30 depois do temporal começar). E segundo porque chorar depois é pior. Há modelos resistentes a água, mas não são todos e nem a qualquer quantidade de água.

Fraudes envolvendo documentos

Por fim, mas não menos importante, há também as fraudes envolvendo documentos pessoais, que atingiram quase metade das pessoas que foram roubadas ou furtadas no ano passado, segundo a pesquisa do SPC Brasil.

Como recomenda a Visa, uma boa dica é levar apenas o necessário. Ou seja, além dos meios de pagamento que você for utilizar, um documento original com foto é o suficiente. Ao levar a carteira completa, você aumenta a possibilidade de uma dor de cabeça e a dificuldade para emitir a segunda via de tudo o que for levado.

Assim como no caso do telefone ou do cartão, registre um boletim de ocorrência caso algo assim ocorra. Mesmo que você tenha perdido só o documento, essa é uma medida essencial para proteger seus direitos em caso de fraude.

Há a importância de avisar também os birôs de crédito, como SPC Brasil, Serasa, Boa Vista e Quod. Dessa forma, se algum prestador de serviço for acionado por um fraudador para abrir uma conta em seu nome, ao consultar sua situação em um dos quatro birôs, ele será notificado de que você foi alvo de um golpe. Durante o Carnaval, o SPC liberou gratuitamente o serviço de monitoramento do CPF.

Carnaval não é legalmente um feriado em todo o país, sabia? Veja como cair na folia sem sofrer desconto no salário.

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