Apesar de ninguém saber ainda quando a pandemia do coronavírus terá um fim, todo mundo está sonhando com a volta da normalidade. Uma das formas de pensar nesse futuro — que não tem data para chegar — é planejando uma viagem. Mas as incertezas do caminho tornam a decisão de escolha do destino das férias mais difícil.

Embora a maioria dos países já tenha estabelecido datas para que as barreiras sanitárias sejam derrubadas, pode ser que os viajantes brasileiros encontrem as portas fechadas por mais um tempo. O presidente americano Donald Trump cogita proibir todos os voos vindos do Brasil até que a situação da pandemia esteja controlada — a entrada de turistas já está proibida, e somente quem tem visto de trabalho ou parentes de primeiro grau pode visitar o país.

Já os principais destinos de viagem doméstico estão voltando a abrir as portas, mas a cautela é maior, pois algumas regiões brasileiras ainda estão vivendo a chamada curva ascendente de transmissão da doença, o que representa um risco de saúde para os turistas.

Compre agora, viaje quando der

Com tantas incertezas no caminho, muita gente não faz a menor ideia de quando poderá desfrutar das próximas férias. Quem já tinha passagens e hospedagem marcada está tendo uma enorme dor de cabeça para remarcar ou para emitir vouchers com o valor inicial da reserva. Mas e quem ainda não comprou, tem a mesma garantia de que poderá remarcar?

Eduardo Fleury, líder de operação do Kayak, plataforma de busca de voos, explica que sim, que a maioria das passagens emitidas pós-pandemia poderá ser remarcada em caso de cancelamento. Ele diz que as próprias companhias estão oferecendo a flexibilidade como um benefício na hora da compra.

“Fizemos um filtro no nosso site para encontrar somente passagens que oferecem flexibilidade de datas, mas até esse filtro tem perdido a função, pois a maioria das companhias está trabalhando nessa condição”, diz Fleury.

A flexibilização inclui remarcação sem cobrança de multa, ou com um intervalo de semanas para viajar. Lembrando que a MP 925, publicada em março, impõe regras para a remarcação de voos comprados antes da pandemia. Entre as normas estão a emissão de um crédito no valor da passagem ou a devolução do valor em um prazo de 12 meses, com o desconto de uma multa.

Compre da companhia A, voe com a B

Outro ponto da flexibilidade é a mudança de companhias. Você pode comprar uma passagem aérea da Azul, por exemplo, mas descobrir que seu voo será com a Latam. “A malha aérea virou um codeshare automático. As companhias estão costurando acordos informais para compartilhar os voos, principalmente os domésticos, buscando aumentar a ocupação das cabines”, conta Fleury, do Kayak.

Ele diz que apesar de a Azul e a Latam terem firmado o acordo de codeshare formalmente, todas as aéreas estão se ajudando de forma informal.

Toda comodidade tem um preço

Assim como já era antes da pandemia, as passagens que têm flexibilidade para a remarcação são mais caras do que as que não disponibilizam o mesmo benefício. Tomando como exemplo um voo saindo de São Paulo com destino a Lisboa: o bilhete com as condições flexíveis de remarcação custa 30% mais do que um que não oferece as mesmas condições.

Outra opção dadas pelas companhias é a promessa da emissão de um voucher no valor pago pela passagem, caso o viajante não consiga embarcar na data programada.

Mas atenção para as condições flexíveis: a remarcação ou a emissão do voucher não garante a mesma tarifa. Mesmo que o viajante decida embarcar no mesmo período do voo original, mas no ano seguinte, ele pode ter que arcar com a diferença tarifária.

“Flexibilização de data não significa manutenção de preço de tarifa, e sim que você não vai perder o dinheiro pago inicialmente. Os custos das companhias são definidos por fatores que mudam de um período para o outro, como o câmbio e o preço do combustível“, afirma Fleury, do Kayak.

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