A chegada da companhia aérea argentina Flybondi ao Brasil causou grande expectativa nos consumidores. Até mesmo o presidente Jair Bolsonaro comemorou a vinda de um novo concorrente para o mercado de aviação civil local.

Fundada no início de 2018, a Flybondi opera voos para 17 destinos na Argentina, além de Assunção (Paraguai) e, agora, o Rio de Janeiro. São três voos semanais (às quartas, sextas e domingos) entre o aeroporto do Galeão e o aeroporto de El Palomar, em Buenos Aires. O primeiro voo da companhia será no dia 11 de outubro, e só há datas disponíveis nos meses de outubro e novembro – o restante do calendário ainda não aparece na busca do site da companhia.

A razão do burburinho da estreia da Flybondi é pelo título de low cost carregado pela companhia. Mas ela pode ser, de fato, considerada uma companhia de baixo custo?

Vamos aos números

6 Minutos consultou o preço das passagens no site da Flybondi na sexta-feira (5 de julho). Alguns trechos tinham poucos assentos disponíveis, o que significa que as passagens já podem ter sido reajustadas.

A tarifa mais barata disponível custa 3.626 pesos argentinos por trecho (o equivalente a R$ 320). Não há mais voos de volta com a mesma tarifa – agora, quem quiser comprar a ida e volta pagará em torno de 5.000 pesos (aproximadamente R$ 460) pelo trecho de retorno. Com as taxas, o total fica em R$ 825.

Mas atenção: esse ainda pode não ser o preço final.

A passagem da Flybondi permite somente que o cliente leve uma mala de mão, com peso limite de 6 kg. O peso padrão da bagagem de mão das companhias brasileiras é de 10 kg.

Para levar uma mala maior, é preciso pagar um valor extra. No site da Flybondi, é possível contratar uma franquia extra de bagagem de 12 kg (por 839 pesos, ou R$ 76) ou de 20 kg (por 1.099 pesos, ou R$ 100). Esses valores valem para a compra de franquia de bagagem junto com a passagem. A companhia alerta o usuário para o fato de que a compra de bagagem extra no aeroporto sairá mais cara.

Assim como nas companhias aéreas brasileiras, demarcar assentos nos voos da Flybondi tem um custo, de R$ 25 por passageiro, em média. Há a opção de não escolher nenhuma poltrona.

Caso o passageiro não possa fazer o check-in online, ou não puder imprimir o passe de embarque, o check-in no aeroporto tem um custo adicional de 125 pesos (R$ 11).

A cobrança de itens adicionais é padrão para companhias low cost. A ideia é oferecer uma passagem mais barata para os passageiros que não querem despachar malas, marcar assentos ou outras “comodidades”. E ganhar com a receita gerada com a venda desses serviços. As companhias tradicionais também passaram a seguir esse modelo de negócios.

Flybondi, aérea argentina de low cost, começa a operar em outubro no Brasil
Crédito: Shutterstock

Qual é o preço em outras companhias?

Em busca no site do Decolar.com, é possível encontrar passagens nas mesmas datas por preços similares ao da Flybondi.

A Azul é a mais competitiva de todas, com um valor total de ida e volta por R$ 1.020 (taxas inclusas). A passagem dá direito somente a uma mala de mão, com peso limite de 10 kg – comprar a franquia de uma bagagem despachada sairia por R$ 190. A desvantagem é que há uma escala, em São Paulo.

O voo direto com melhor preço é o da Aerolineas Argentina, por R$ 1.121. A regra é a mesma do voo da Azul: direito a uma mala de mão, de 10 kg, e a cobrança de um valor extra de R$ 190 para despachar alguma bagagem.

Outras companhias low cost

A Norwegian Airlines, companhia de baixo custo europeia, está operando no Brasil desde março deste ano. Os voos disponíveis são do Rio de Janeiro para alguns destinos da Europa (em um primeiro momento, Londres, Madri, Copenhague, Estolcomo, Oslo e Málaga).

Em uma pesquisa feita com voos para Londres em outubro, é possível encontrar passagens da Norwegian com um valor até 20% menor que o das concorrentes. Mas de novo: qualquer comodidade tem um custo extra.

A Sky Airlines, companhia aérea chilena, foi a primeira low cost estrangeira a chegar ao mercado brasileiro. Ela começou a operar no Brasil em novembro de 2018 e tem voos de São Paulo e do Rio para diversos destinos da América Latina. Em uma viagem em outubro da capital paulista para Santiago, a passagem da Sky pode sair por até 20% menos do que na concorrência, mas sem direito a bagagem.

Flybondi low-cost no Brasil? Ainda não

A chegada da Flybondi e de outras companhias low cost fez muitos brasileiros sonharem com passagens por apenas dezenas de reais, a exemplo das aéreas de baixo custo da Europa, que chegam a cobrar 15 euros (cerca de 75 reais) por trecho. Mas os números acima mostram que a realidade pode ser frustrante.

A principal razão para a discrepância é a cobrança de tarifas aeroportuárias e de comercialização. Muitas vezes, elas chegam a representar 3o% ou 40% do valor total de uma passagem aérea.

Os comparativos mostram que a Flybondi, por enquanto, não tem oferecido passagens que justificam o título de low cost. Mas, ao olhar as tarifas cobradas em voos dentro da Argentina, é possível achar trechos com valores interessantes para os passageiros.

Uma passagem de ida e volta de Buenos Aires para Mendoza, um badalado destino turístico na Argentina, pode sair por pouco mais de 1.200 pesos pela Flybondi – ou R$ 115. Vale lembrar que a distância entre as duas cidades é o dobro da de São Paulo e Rio de Janeiro.

Ir de Buenos Aires para Córdoba, outro ponto visitado por brasileiros, custa pouco mais de R$ 80 (novamente, o preço é para passagem de ida e volta).

As condições aqui são as mesmas citadas acima: sem direito a bagagem. Mas isso pode não ser um problema para quem está viajando para dois destinos (por exemplo, Buenos Aires e Mendoza).

Caso você tenha um roteiro de viagem pela Argentina, vale a pena espiar os preços das passagens da Flybondi. Mas talvez ir até Buenos Aires por outra companhia compense mais.

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