Você tem viagem para Paris nos próximos dias, seja como destino final ou conexão para outras cidades europeias? Fique atento às informações de sua companhia aérea, principalmente se ela for a Air France. A reforma da previdência proposta pelo presidente Emmanuel Macron tem levado milhares de pessoas às ruas da capital francesa e de outras cidades e fechado alguns dos principais pontos turísticos. Está mais difícil chegar ou sair do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris.

A quinta-feira (dia 5) foi dia de greve nos transportes, nas escolas, nos hospitais e nas refinarias. Nas ruas de Paris, manifestantes montaram barricadas e fizeram fogueiras com o que encontravam pela frente: lixo, pneus e grades. Lojas e pontos de ônibus foram incendiados. Houve confronto com a polícia, que prendeu 87 pessoas. Cerca de 90% dos trens não circularam e várias estações de metrô fecharam as portas. Uma nova manifestação está marcada para a próxima terça-feira (dia 10).

A Torre Eiffel ficou fechada, segundo a administração, porque a “equipe não era suficiente para abrir o monumento em condições de segurança”. O Palácio de Versailles e o Museu do Louvre, outras duas grandes atrações do país, aconselharam que os turistas adiassem as visitas.

Também era quase impossível chegar ao aeroporto Charles de Gaulle, pois a linha de trem que liga Paris aos terminais funcionava de maneira parcial. A paralisação de parte dos controladores aéreos obrigou a Air France a cancelar 30% dos voos domésticos e 15% dos voos para destinos na Europa.

Os protestos estão concentrados em Paris? Não. As primeiras passeatas começaram ao meio-dia em várias cidades, além de Paris. Protestos foram registrados em Marselha, Montpellier, Nantes e Lyon. “Não vimos nada assim desde a mobilização contra a reforma da previdência em 2010, durante a presidência de Nicolas Sarkozy” disse a sindicalista Dominique Holle.

O que é a reforma de Macron? A indignação popular foi motivada pela nova reforma da previdência de Macron, uma promessa de campanha que tem como objetivo eliminar os 42 regimes especiais que existem e concedem privilégios a determinadas categorias profissionais. O governo pretende estabelecer um sistema único, no qual todos os trabalhadores terão os mesmos direitos.

Os sindicatos, porém, temem que o novo sistema adie a aposentadoria, que atualmente ocorre aos 62 anos, e diminua o valor das pensões.

Macron, que pretende apresentar a reforma ao Parlamento no início de 2020, disse ontem que está “determinado” a levar o projeto adiante. Os sindicatos ameaçam prolongar a greve por tempo indeterminado. Os transportes públicos anunciaram a prorrogação da paralisação até segunda-feira (dia 9). Para evitar o caos nos transportes, muitos franceses decidiram trabalhar em casa.

(Com Estadão Conteúdo)

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