A Netflix divulgou após o fechamento do mercado desta terça-feira (21) seu balanço de resultados para o quarto trimestre de 2019. Os números surpreenderam: a empresa ganhou 8,76 milhões de assinantes no período, cerca 15% a mais do que a expectativa dos analistas, que girava em torno de 7,63 milhões de novas contas.

Ao todo, a Netflix registra uma base de 167 milhões de assinantes ao redor do mundo. Os números, no entanto, mostram que cada vez mais o futuro da companhia está em olhar para fora dos Estados Unidos. Enquanto foram apenas 550 mil novos assinantes na América do Norte, a empresa ganhou mais de 2 milhões de novos usuários na América Latina e pouco mais de 4,4 milhões no compilado entre Europa, Oriente Médio e África.

Quanto aos resultados financeiros, a Netflix reportou um lucro de US$ 587 milhões no período, o que significa um aumento de 338% em relação ao último trimestre de 2018. O mercado reagiu bem ao resultado: no pós-mercado, as ações da empresa subiam 2,33% às 21h (horário de Brasília).

A que a Netflix reputa o bom resultado? A empresa enxerga que está sendo bem sucedida a sua estratégia de apostar em conteúdos originais para manter o interesse mesmo após perder o contrato com diversos estúdios, com muitos seguindo para a criação dos próprios serviços de streaming.

Entre os títulos lançados nos últimos meses, a empresa deu um destaque especial para “The Witcher“, série derivada da obra literária do polonês Andrzej Sapkowski. Segundo a Netflix, 76 milhões de usuários já assistiram à primeira temporada da produção, o que a coloca como a “melhor temporada de estreia da nossa história”.

Também mereceram menções de destaque as séries “The Crown”, que trata da monarquia inglesa e rendeu neste mês um Globo de Ouro à atriz Olivia Colman, e o thriller psicológico “You”, importado da TV regular, onde teve baixa audiência, e que chegou à Netflix atraindo 54 milhões de usuários para a sua segunda temporada em apenas quatro semanas.

Venha, concorrência. A Netflix não se furtou a mencionar um assunto que tem provocado dúvidas sobre o futuro da empresa: a concorrência. Sobre o lançamento de produtos como o Disney+ ou o Apple TV+, a companhia afirmou que vê um reflexo da “tendência majoritária da transição da TV linear para o entretenimento via streaming”.

“Isto está acontecendo em todo o mundo e ainda está em seus estágios iniciais, deixando um amplo espaço para o crescimento dos serviços enquanto a TV linear diminui. Nós começamos muito na frente no streaming e vamos trabalhar para construir em cima da mesma coisa que nos motivou nos últimos 22 anos: agradando nossos usuários”, diz.

Apesar de não manifestar preocupação, a empresa inseriu em sua mensagem aos acionistas um comparativo de buscas no Google entre o seu “The Witcher” e os sucessos da concorrência: “The Mandalorian”, da Disney; “Jack Ryan”, da Amazon; e “The Morning Show”, da AppleTV.

A estratégia: histórias locais. A Netflix se mostra atenta com o fato de que sua audiência e força cresce fora dos Estados Unidos, onde as concorrentes ou não lançaram ou ainda operam de forma mais tímida. Na carta aos investidores, a companhia ressaltou que “sabe que pessoas querem histórias locais”.

A empresa comemorou que “La Casa de Papel”, falada inteiramente em espanhol, está na lista dos mais assistidos em dez países onde o serviço está disponível. Recém-lançada, a série “Messiah”, sobre um homem que se apresenta como o novo messias, tem suas cenas no Oriente Médio inteiramente faladas nas línguas locais.

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