Não importa se é a primeira ou a enésima vez que você vai a Paris. Algumas atrações como a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, o Museu do Louvre e o Castelo de Versalhes têm um quê de eternas. Você já pode tê-las visitado mais de uma vez, mas a cada retorno terá uma nova percepção.

Nem mesmo o trágico incêndio da Catedral de Notre Dame, em abril, tirará da Cidade Luz sua aura de metrópole inesgotável de atrações e descobertas. Paris se reconstrói, se reinventa. Separamos quatro atrações, uma imperdível e outras três inusitadas, que você deveria incluir na sua próxima – ou primeira – viagem a Paris.

Imperdível: Centre Georges Pompidou

Para começar uma pegadinha: nenhum parisiense chama o Centre Georges Pompidou pelo nome. O mais comum é se referirem ao edifício como Beaubourg (leia Bôbur), em alusão à área onde está construído, no 4o arrondissement (que é o nome dado a cada um dos 20 distritos da capital francesa, que estão distribuídos em ordem crescente a partir do centro, formando uma espécie de caracol).

O Centre George Pompidou, em Paris

Num papo informal com qualquer parisiense, dá para sentir que todo mundo tem um baita amor por este espaço cultural polivalente. Basta um clique no site deles para perceber a quantidade de atividades simultâneas.

Reunindo uma das maiores coleções de arte contemporânea do mundo, exibe e recebe os mais famosos nomes dos séculos 20 e 21. Mas não é só isso. Aliás, o espetáculo começa já fora. O projeto dos arquitetos Renzo Piano, Richard Rogers e Gianfranco Franchini já era inovador quando foi inaugurado, em 1977. Toda a tubulação do prédio é exposta e colorida, inclusive os “canos” por onde sobem as escadas rolantes.

A vista do quinto andar é majestosa, mas vale a pena considerar um almoço no Restaurant Georges, no sexto andar. A entrada do centro cultural custa 14 euros, mas mesmo estiver economizando alguns euros não deixe de ir. Você pode viver a experiência despretensiosa de apenas ir até lá e circular nas áreas abertas.

Além disso, logo na frente fica a Place Stravinsky, inaugurada em 1983. Ali ficam as esculturas e mobiles da artista Niki de Saint Phalle, que lembram muito o trabalho do arquiteto catalão Antonio Gaudí. Como se não bastasse, músicos tocam livremente. Um epicentro social.

Promenade Plantée: uma “High Line” pouco badalada

Promenade Plantée, o parque elevado da capital francesa

Muita gente já esteve passeando pela famosa “High Line” em Nova York. O parque suspenso foi por vários anos a grande sensação da Big Apple. Mas o que poucos sabem é que o projeto foi inspirado nesta discreta atração do 12o arrondissement de Paris. Também chamada de Coulée Verte, a Promenade Plantée é uma rota arborizada de 4,5 quilômetros que conecta os entornos da Praça da Bastilha, marco da Revolução Francesa, em 1789, até a Porte de Vincennes.

Em vários momentos, os trechos têm pequenas pontes para pedestres, atravessam longas alamedas sob árvores frondosas. Cheio de sombra, é um baita passeio para os dias quentes de verão. O percurso ocupa o antigo trecho de via férrea da linha de Vincennes, fechada desde 1969. A rota passa sobre um viaduto a sete metros do chão, com passarelas e alguns túneis curtinhos. No verão costuma abrir às 8h30 e fechar às 20h30.

Rue Crémieux: a rua mais colorida de Paris

Rue Cremieux, uma das mais coloridas de Paris

Ressignificar é muitas vezes a grande resposta para a charada: como criar charme em uma antiga vila operária? Talvez algumas latas de tinta com colorações vibrantes, alguns vasos de flores e um tanto de bom gosto. Estes elementos já foram suficientes para transformar a Rue Crémieux, no 12o arrondissement, na via mais “instagramável” de Paris.

Claro, é difícil concorrer com a Torre Eiffel e com a Avenida Champs Elysées, mas a ruela de paralelepípedos é muito elegante e autêntica. Não à toa é muito procurada por fotógrafos de moda e transformada em locação de cinema e de filmes publicitários.

Ao longo de seus 144 metros de extensão – sim a rua só tem um quarteirão entre a Rue de Lyon e a Rue de Bercy – há pequenas pinturas de animais próximos às janelas. E uma placa de 1910 marcando o nível da água de quando a Grande Enchente do Rio Sena atingiu 1,75 metro. Tente ir logo cedo para garantir sua foto.

Museu dos Vampiros e dos Monstros Imaginários    

Museu dos Vampiros e dos Monstros Imaginários

Sempre disseram a você que assombração é coisa da sua cabeça, não? Mas você certamente duvidará disso ao entrar nesse surreal museu parisiense.

Amantes de Conde Drácula e de todo o universo das histórias de terror vão ficar arrepiados. E desavisados também, então é bom não chegar sem querer no número 14 da Rue Jules David, na região de Les Lilas, no 19o arrondissement. O Museu dos Vampiros e dos Monstros Imaginários é um pitoresco endereço de Paris.

Dono do acervo e curador do museu, Jacques Sirgent procura mostrar a ideia de monstro, a metáfora, trazendo a lenda por trás do vampiro. Com centenas de objetos e manuscritos de autores famosos, ele retrata uma sociedade puritana do século 19 que procurava criar inimigos e pegados – e que se reflete muito até hoje.

Um dos destaques da mostra é a máquina de escrever do escritor Bram Stoker, autor de Drácula (1992). Mas algumas bonecas sinistras e um morcego no formol provocarão calafrios em todos.

Outro clássico passeio mórbido/fúnebre de Paris é a visita às Catacumbas. Com mais de 6 milhões de ossos, o ossuário de 1861 tem se transformado numa atração querida pelos turistas. É impressionante, mas cada vez menos assustador.

Sempre movimentado, o cemitério Père Lachaise (8, Boulevard de Ménilmontant) é o mais visitado do mundo, com mais de 3,5 milhões de turistas por ano, além de ponto de parada para muitos fãs das artes. Celebridades como Jim Morrison, Oscar Wilde e Honoré de Balzac estão enterradas por lá.