A paralisação quase completa das viagens pelas companhias aéreas – as três grandes do setor no Brasil, Gol, Latam e Azul, reduziram os voos em mais de 90% por causa do coronavírus – fará com que as trocas por produtos passem a representar, durante alguns meses, entre 70% a 80% do resgate de milhas.

A avaliação é de Bruno Nissental, sócio do Oktoplus, aplicativo que permite comparar o valor de pontos de programas de fidelidade. A tendência é que os consumidores, em especial aqueles com milhas para vencer, passem a adquirir produtos em vez de viagens, em especial os que tornem a quarentena mais confortável.

“O mercado girava em torno de resgates de pontos de companhias aéreas, que representavam 80% do mercado. Mas Gol e TAM reduziram seus voos drasticamente, e o turismo parou. Isso tem impacto direto em todas as pontas”, disse.

Como a crise do coronavírus impacta o mercado de milhas? As pessoas estão acumulando menos milhas. Isso vem acontecendo por duas razões. Em primeiro lugar, a forte alta do dólar desde o início do ano — que chega a 27% — vem levando ao acúmulo de menos pontos, segundo Nissental. “O mercado de milhas é bastante dolarizado porque o resgate dos pontos é fortemente ligado aos preços das passagens aéreas”, explica.

Além disso, a quarentena e as restrições aos voos para evitar a propagação do coronavírus fazem com que as pessoas circulem menos, sem falar que muitas lojas fecharam as portas temporariamente. “Com essa segurada no consumo, a fonte de acúmulo de pontos seca ainda mais”, afirma o especialista.

Por qual tipo de produtos as pessoas estão trocando seus pontos? Segundo Nissental, principalmente por produtos que possam tornar a quarentena mais confortável. Ele dá alguns exemplos.

“Nossos parceiros apontam que houve aumento do resgate de produtos como vinhos, jogos para crianças, equipamentos de ginástica, caixas de som e umidificadores de ar. Ou seja, aquilo que torna o ambiente de casa mais agradável e a quarentena menos estressante”, afirma.

Afinal, o número de pontos necessários para resgate de passagens aéreas hoje está maior ou menor? Muitos trechos tiveram uma explosão nos preços na primeira metade do mês, segundo Nissental. Isso significa que era preciso gastar mais pontos para fazer a troca. “Em quase todos os voos houve uma alta forte, porque a oferta foi reduzida. E ainda tinha demanda, com algumas pessoas voltando para casa e voos de última hora”, disse.

Ele acredita, entretanto, que a tendência é de queda conforme a quarentena se consolide. “São Paulo e Rio em quarentena serão um bom indicador de como as passagens vão ser precificadas daqui para a frente”, disse.

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