Tinha ingressos comprados para shows, espetáculos, museus que foram cancelados ou adiados por conta da pandemia? Pois é, são milhares de pessoas na mesma situação. O problema é que cada empresa responsável pela venda de ingressos está dando uma solução diferente para a questão.

O Procon de São Paulo recebeu mais de 100 reclamações somente contra a T4F, responsável pela venda de ingressos para o festival Lollapalooza, por exemplo.

O que aconteceu? Espetáculos foram cancelados em todo o mundo, mesmo os realizados a céu aberto. Eventos assim geram aglomeração de pessoas, cenário ideal para a propagação do coronavírus. Quem comprou ingressos com antecedência ficou sem ver o seu espetáculo na data programada.

Que solução as empresas vêm dando? Cada empresa trata do assunto de uma forma diferente. No caso do Lollapalooza, a T4F deu aos compradores do Lollapalooza a opção de manter as entradas — cujos preços variam de R$ 400 e R$ 4.100,00 — para nova data do festival, ou trocar o valor do ingresso por créditos na plataforma da empresa. Esses créditos poderão ser usados em qualquer outro evento administrado pela empresa. Procurada, a empresa não se manifestou até essa publicação.

Já o festival SP-Arte, que acontece anualmente no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera, foi cancelado pe ingressos foram devolvidos aos compradores — cerca de R$ 50.

O MIS (Museu de Imagem e Som) de São Paulo também ressarciu os visitantes que haviam antecipado os ingressos para as exposições John Lennon em Nova York por Bob Gruen e Leonardo da Vinci – 500 Anos de um Gênio, experiência imersiva que estava em cartaz no MIS Experience. A mostra sobre o ex-Beatle será retomada ao final da quarentena. Assim, aqueles que não optaram pelo estorno do ingresso poderão reagendar a visita, por meio da plataforma de vendas Sympla, na qual também é possível pedir a devolução do dinheiro.

Por que tem empresa que não faz a devolução em dinheiro? Elas estão amparadas pela MP (medida provisória) 948. Essa MP dispensa os prestadores de serviços de reembolsar imediatamente os valores pagos pelos consumidores por reservas ou eventos, shows e espetáculos cancelados.

Para ter direito ao benefício, a empresa deve assegurar a remarcação do serviço ou oferecer crédito para a compra de outras reservas ou novos eventos. O texto também permite que o prestador formalize outro tipo de acordo com o usuário.

E como fica o consumidor nessa? Fernando Capez, Secretário da Defesa do Consumidor e diretor do Procon de São Paulo, diz que as empresas de eventos podem fazer o que a T4F fez: remarcar ou oferecer créditos. “Até o fim do estado de calamidade pública, as produtoras culturais não são obrigadas a reembolsar o valor pago por um serviço que aconteceria durante o período”.

A medida, porém, obriga as empresas a informar ao consumidor uma nova data para o evento, ou caso seja impossível remarcá-lo, permitir que o cliente use o valor pago em outra atração, sem nenhum custo adicional, segundo Capez.

“Há, porém, a possibilidade de o cliente solicitar o reembolso em dinheiro, caso nenhuma das outras atrações oferecidas pela empresa em questão lhe agrade”, continua o secretário. “Ele, então, deverá receber seu dinheiro de volta em um prazo de 12 meses a partir do fim do estado de calamidade pública, corrigido de acordo com o Índice Nacional de Preço ao Consumidor.”

Como será o futuro do setor de eventos? A diretora do festival SP-Arte, Fernanda Feitosa, diz que chegou a cogitar adiar o evento, antes de cancelá-lo: “Estávamos com toda a estrutura pronta, o evento começaria a ser montado na semana seguinte ao decreto da quarentena”. A evolução da pandemia, no entanto, levou a empresária a mudar de ideia. “Não podemos prever como será a retomada dos eventos presenciais, se teremos uma reabertura constante ou ondas retrocesso. Logo, não há nenhuma previsão de quando será seguro fazer o evento.”

O prejuízo é grande? Fernanda diz que sim. “Em questão de duas semanas, devolvemos não só o valor dos ingressos, como o valor que as galerias pagam para participar do evento — que já havia sido investido. É um prejuízo acumulado: o nosso, mais o das galerias, que deixaram de vender suas obras na SP-Arte, cujo faturamento gira em torno de R$ 200 milhões por edição”.

Redes de cinema, como Cinemark, Cinépolis e Kinoplex estornaram os ingressos vendidos antecipadamente para pré-estreias e sessões futuras. As salas fechadas, sem previsão de reabertura, no entanto, configuram um prejuízo inestimável para o setor.

“Boa parte dos lançamentos da indústria de entretenimento e cultura previstos para 2020 foram parados ou adiados. No entanto, a perspectiva para retomada e para 2021 é positiva” afirma Roberto Fabri, diretor de Marketing da Omelete Company.

“Se olharmos com cuidado para conteúdo, percebemos que existirão muitas oportunidades, uma vez que 2021 acumulará os lançamentos de 20 e os que já estavam previsto para 21. O que podemos adiantar é que sem dúvida a camada digital, seja como conteúdo, seja como serviço, chegou para ficar e independentemente da quarentena.”

A Comic Con Experience, feira de quadrinhos e cultura pop realizada pela Omelete Company, também foi afetada pela pandemia. Apesar de estar marcada apenas para dezembro, o evento adiou o início da venda de ingressos. “A decisão foi tomada praticamente em conjunto entre CCXP e fãs. A voz das redes sociais dita as nossas estratégias e, nesse caso, não foi diferente. Com o passar do tempo e evolução da pandemia, acabou confirmando essa ser a decisão mais acertada”, conclui Fabri.

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