Visitar museus, conhecer monumentos e a cultura de um destino novo são partes importantes de uma viagem. E comer é outra parte tão necessária quanto. Mas até que ponto você está disposto a descobrir os sabores realmente típicos de um lugar? Não, não estamos falando dos pratos clássicos de um país, como nosso arroz com feijão ou moqueca. Porém daqueles mais controversos, que algumas pessoas torcem o nariz só de pensar.

O cuy (ou porquinho-da-índia) é considerado uma iguaria em países como o Peru e o Equador

Aqui no Brasil certamente uma feijoada completa – com orelha, focinho e rabo de porco – entraria na lista. Comer coração e moela, órgão do sistema digestivo do frango, são ideias normais para nós brasileiros, mas esquisitas para qualquer europeu. Farofa de formiga tanajura frita parece até brincadeira, mas em Goiás e no Vale do Paraíba é iguaria. Já buchada de bode e sarapatel, cozido preparado com vísceras de vários animais, de porco a cabrito, costumam ser difíceis de engolir para muitos brasileiros. Mas muitos nordestinos amam.

Mesmo quando o animal é mais familiar, como o boi, cortes como rabada, fígado e mocotó não agradam a todos. Mas que representam uma grande parte do que o “Brasil real” aprecia, isso não dá pra discordar. Saboreie mundo afora cinco pratos, no mínimo, esquisitos.

Morcego no Vietnã (e Sudeste Asiático)

Sim, esses são morcegos

A ideia parece repugnante, mas este “rato com asas” é preparado não apenas por vietnamitas, como por vários povos do Sudeste Asiático e de ilhas do Pacífico. Encontrado em abundância em várias cavernas da região, geralmente é servido guisado, cozido, mas também pode ser frito ou assado como churrasco.

Em alguns lugares, como na Ilha de Guam, são considerados uma iguarias e sua caça colocou uma espécie em risco de extinção.

Porém, antes de degustar há um tanto de trabalho. Para prepará-lo é preciso queimar a pelagem externa – afinal, morcegos são os únicos mamíferos que voam. Em seguida, remove-se a cabeça e as asas. Segundo a edição de 1999 da enciclopédia Oxford Companion to Food, morcegos frutívoros – que se alimentam de frutas – são animais limpos e seu sabor é semelhante ao do frango.

Para quem curte uma dieta fica a dica: têm baixo teor de gordura e são ricos em proteínas. O único problema é que durante o cozimento pode brotar um cheiro forte que lembra urina. A solução é simples: basta adicionar cebola, alho, pimenta e até cerveja. Bom apetite!

Larva de bambu – Tailândia

Porção de aperitivo

Na Tailândia comer inseto não é um tabu. Há mais de uma centena de espécies apreciadas pelas pessoas. Porém, nem todos são igualmente populares. Só que um destes insetos é realmente uma unanimidade: as larvas de bambu.

Costumam ser servidas fritas, com temperinho salgado e picante e acompanham MUITO BEM uma cervejinha. Depois de perder o preconceito você começa a curtir a crocância desta lagarta de mariposa, cujas larvas são depositadas em buracos dentro dos bambus. Aos poucos o sabor vai se revelando cremoso e lembra um pouco milho verde.

São criados em extensas fazenda tailandesas para abastecer uma demanda crescente no país. É espantoso saber que 26% de seu peso corporal são proteínas e têm sido pesquisadas como fonte alternativa ao pesado consumo de carne bovina no mundo. Na Tailândia, baratas e escorpiões fritos são exibidos em barracas mais para impressionar os visitantes em zonas mais turísticas. Não raro foram fritos há várias horas ou dias.

Carne de cavalo na Itália

Eu sei, a ideia parece bem esquisita. Sempre tivemos a cultura do cavalo como animal adestrável, utilitário e parceiro do homem. De primeira, dá dó pensar em comê-los, né?

Mas na Itália não é bem assim. Mas não adianta chegar em qualquer parte do país e procurar por carne de cavalo. Só costuma ser encontrado em algumas regiões da Puglia, do Vêneto e da Sardenha. Mas a Sicília é o principal polo consumidor dessa proteína, que tem 25% menos gordura, 30% menos colesterol e quase 30% menos sódio do que a carne bovina.

Macelleria equina é um açougue especializado em carne de cavalo. Muitos restaurantes oferecem receitas de bife ou almôndegas fritas. Mas também é comum comer a carne curada, na forma de bresaola, e também crua, cortada fininho como carpaccio. Nas cidades de Catânia e Palermo, capital da Sicília, o normal é comer bife de cavalo frito e dentro de um pão com vinagrete e queijo, como um x-churrasco.

Porquinho-da-índia no Peru e no Equador

Não é a coisa mais apetitosa do mundo pensar num grande roedor, com cabeça e tudo, num prato. Porém, no Peru e em outro países andinos, como o Equador e a Bolívia, a carne do cuy, o nosso porquinho-da-índia ou preá é uma cobiçada (e cara) iguaria. Costuma ser assado e apresentado deitado de barriga para cima ou tombado de lado, se for maiorzinho.

É um prato raiz: dá para identificar bem as patinhas e a cabeça, com os dentinhos proeminentes. Não é raro passar por mercados de rua e ver um cuy empalado sendo assado.

À primeira vista a aparência é detestável, porém é preciso abrir-se para novos sabores. A carne lembra a de leitão, com bastante colágeno, mas o segredo está no tempero e nos acompanhamentos. Geralmente batata, abacate, tomate e molho de amendoim. Ah, e também no preparo da pele: se vier pururucada, você nunca mais vai esquecer do sabor.

Camelo no Marrocos

Camelos sempre tiveram uma aura de bons companheiros cruzando o deserto do Saara com beduínos sem demandar por água. Ou então serviam (e ainda servem em vários lugares) como dote para casamentos. Mas será que você já tinha pensado em saborear este simpático e fotogênico animal?

Pois é, no Marrocos não é tão comum encontrar, mas é possível apreciar essa saborosa carne. Costuma ser preparada como linguiça, assada no forno de pão. É comum usarem o baço do animal para rechear com carne de camelo, azeitonas, especiarias e um pouco de gordura.

Porém, a versão mais populares entre viajantes, muito oferecida nas parte mais antigas das cidades de Marrakesh e Fez é o hambúrguer de camelo. Moído e bem temperado, é frito na chapa e acompanha pão especial. A textura é cremosa e tem um quê de carne de caça e de fígado de boi, porém mais adocicado e lembra – bem lá no fundo – um cordeiro. Além de poder dizer que provou, você pode aliviar a culpa dizendo que a proteína é super baixa em gordura.