Depois de três anos de crescimentos frustrados, o Brasil tem, em 2020, a melhor chance de ver uma retomada da economia, na avaliação de economistas do Itaú Unibanco. De acordo com os especialistas, no entanto, o país precisa de um aumento do emprego formal e da contenção do coronavírus se quiser garantir a alta prevista para o PIB em 2020.

O Itaú manteve a previsão de crescimento da economia em 2,20% mesmo após o coronavírus, que impactou as expectativas para a China (de 6,0% para 5,80%) e global (de 3,2% para 3,1%). A avaliação é de que as medidas promovidas para conter a doença estão tendo resultados eficazes e reduzindo o número de novos casos, o que é bom. No entanto, a eventual necessidade de que essas restrições de deslocamento persistam por mais tempo é um fator de preocupação.

“O risco externo mais intenso é o coronavírus e as medidas para contê-lo. Se for algo que se alongar, levar um semestre inteiro, vai ter impacto no PIB nacional e brasileiro. No cenário doméstico, qualquer fator que ameace a expansão do crédito teria um peso grande”, avalia Mário Mesquita, economista-chefe do banco, após questionamento do 6 Minutos.

De acordo com a instituição, o crescimento de 2020 vai ser guiado pelo consumo e pelos investimentos privados. Para que isso ocorra, o fator primordial é a citada expansão do crédito. Além dos juros mais baixos, o aumento do crédito, principalmente para as famílias, depende da formalização da mão de obra. “Quem tem crédito é o empregado formal, não o informal”, argumenta a economista Julia Gottlieb.

Quanto o emprego precisa crescer neste ano? Nas contas do Itaú Unibanco, a projeção é de que o Brasil crie cerca de 914 mil vagas formais neste ano, um aumento de 42% em relação às 644 mil geradas em 2019. A oscilação é medida pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

A taxa de desemprego ainda deve cair muito pouco, de 11,6% para 11,4%, até o final de 2020. O que não seria exatamente uma má notícia, desde que contemplasse uma redução das vagas informais por conta da transição para posições com carteira assinada.

Anunciado como grande projeto do governo para gerar vagas formais, o chamado Trabalho Verde Amarelo é considerado de pouco efeito para estimular a formalização. “É um projeto que trata de um setor específico, os trabalhadores mais jovens, e que tem efeito temporário, de até 2 anos. Faz parte da agenda micro, mas não deve ter um peso grande”, avaliou o economista Luca Barbosa.

A “ressaca” do FGTS. O Itaú espera que o consumo esfrie no primeiro trimestre. É um movimento quase que de uma ressaca após o estímulo da liberação de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

Essa ressaca, no entanto, precisa ser breve. Para a conta do crescimento fechar, os primeiros números de 2020 precisam acelerar de forma considerável. Entre janeiro e março, a previsão é que o PIB aumente em torno de 0,3%, passando a crescer em uma média de 0,7% a partir de abril.

Os próximos anos. Para 2021, a expectativa do Itaú Unibanco é que o Brasil cresça em torno de 3%. Além de manter a expansão do consumo e dos investimentos, há um terceiro fator que entra na conta: a necessidade de retomar as exportações.

Portanto, para o país engatar na próxima marcha após este ano, cresce a importância de fatores externos, principalmente a resolução de crises políticas e econômicas na América Latina e a retomada da demanda na China.

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