O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na tarde desta sexta-feira (27)  um pacote fiscal trilionário para tentar minimizar os impactos econômicos da pandemia de coronavírus no país, que já tem mais infectados do que a China. “Acabei de assinar o maior pacote de ajuda econômica da história americana – duas vezes maior do que qualquer lei de assistência já aprovada”, escreveu Trump em sua conta oficial no Twitter.

Segundo o republicano, o pacote de US$ 2,2 trilhões fornecerá “alívio urgentemente necessário para as famílias, trabalhadores e empresas de nossa nação”.

O que aconteceu? O pacote foi aprovado na Câmara dos Representantes horas antes e já havia passado pelo Senado americano, depois ter sido pivô de divergências entre republicanos e democratas que, por fim, chegaram a um acordo.

As medidas visam ajudar indivíduos e empresas a lidar com a crise econômica causada pelo surto de coronavírus e fornecer aos hospitais com necessidade urgente de suprimentos médicos.

“Nosso país enfrenta uma emergência econômica e de saúde de proporções históricas devido à pandemia de coronavírus, a pior pandemia em mais de 100 anos”, disse a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, ao final de um debate de três horas no plenário da Câmara.

O que prevê o pacote? O pacote de resgate é a maior medida de alívio fiscal já aprovada pelo Congresso. O plano de US$ 2,2 trilhões inclui US$ 500 bilhões para ajudar indústrias afetadas e US$ 290 bilhões para pagamentos de até US$ 3 mil a milhões de famílias.

Também fornecerá US$ 350 bilhões em empréstimos a pequenas empresas, US$ 250 bilhões para aumento do auxílio-desemprego e pelo menos US$ 100 bilhões para hospitais e sistemas relacionados à saúde.

O raro, porém profundo, apoio bipartidário no Congresso enfatizou o quão seriamente os parlamentares estão levando a pandemia global à medida que os norte-americanos sofrem e o sistema de saúde ameaça entrar em colapso.

Como foi o processo de aprovação? Democratas e republicanos na Câmara, liderada pelos democratas, aprovaram o pacote por voto em áudio, revertendo um desafio processual do representante republicano Thomas Massie, que havia tentado forçar uma votação formal e gravada.

Massie, um republicano independente que desafia repetidamente líderes do partido, disse no Twitter que achava que o projeto continha muitos gastos estranhos e dava muito poder ao Federal Reserve. Ele não falou no plenário da Câmara durante o debate de três horas.

Trump disse no Twitter que Massie deveria ser expulso do Partido Republicano. “Ele só quer publicidade. Ele não pode impedir, apenas adiar”, escreveu o presidente.

Congressistas se arriscaram indo até Washington. Líderes democratas e republicanos pediram aos membros que retornassem a Washington para impedir a manobra de Massie. Parlamentares de lugares tão distantes como a Califórnia estiveram presentes no debate.

A sessão foi realizada sob regras especiais para limitar a propagação da doença entre os membros, que usavam álcool em gel para as mãos. Pelo menos um membro usou luvas de proteção. Muitos dos 430 membros atuais da Casa estavam em seus distritos de origem por causa do surto de coronavírus, que poderia colocá-los em maior risco de contágio.

Pelo menos três membros do Congresso testaram positivo para o coronavírus, e mais de duas dúzias fizeram uma autoquarentena para limitar sua propagação. As pessoas idosas têm se mostrado especialmente vulneráveis ​​à doença, e a idade média dos membros da Casa era de 58 anos no início de 2019, bem acima da idade média de 38 anos para a população dos EUA como um todo.

Na quinta-feira, os Estados Unidos superaram a China e a Itália como o país com mais casos de coronavírus. O número nos EUA passou de 85 mil, com mais de 1.200 mortes.

Também na quinta, o Departamento do Trabalho informou que o número de norte-americanos que pediram auxílio-desemprego saltou para 3,28 milhões, um recorde.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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