Caminhoneiros que transportam alimentos enfrentam atrasos no mundo todo no mais recente gargalo das cadeias de suprimentos provocado pela pandemia de coronavírus.

O que está acontecendo? Motoristas precisam esperar várias horas na Europa devido a restrições impostas para controlar a propagação do vírus. Na América do Sul, em alguns países a legislação local entra em choque com as ordens nacionais, que consideram o transporte de alimentos um serviço essencial, deixando os suprimentos às vezes parados nos armazéns. Em partes da África, com a interrupção do transporte público, os motoristas sequer podem fazer seu trabalho. E grandes picos de demanda causaram atrasos no carregamento em alguns armazéns dos Estados Unidos.

Em quase todos os lugares, o acesso de motoristas a serviços essenciais foi reduzido ou até cortado. Está cada vez mais difícil encontrar lugares para comer com restaurantes fechados e caminhões grandes demais para passar por pistas de drive-thru. Um lugar razoável para dormir, tomar banho e até usar um banheiro limpo agora é difícil de encontrar.

Como esses profissionais estão lidando com a crise? Diante dessas dificuldades, alguns caminhoneiros de países como o Brasil, um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, até se recusaram a fazer novas viagens nas últimas semanas.

Os problemas destacam a vulnerabilidade do complicado e necessário processo para transportar produtos da fazenda até a mesa. Quase todos os alimentos e produtos agrícolas são transportados por estradas em algum momento, seja de um campo para um terminal de grãos, de uma unidade de processamento a um porto ou de um atacadista para uma loja.

“Nunca tivemos nada dessa magnitude e tão generalizado”, disse Derek Couros, diretor-presidente da Werner Enterprises, uma das cinco principais transportadoras de caminhões dos Estados Unidos, referindo-se às pressões no setor. “Mas estamos funcionando e precisamos continuar assim.”

Com medo, eles seguem trabalhando. Bob Stanton, um motorista de caminhão de 62 anos com três tipos de doença, disse que tem medo de pegar o Covid-19 e só tem meia lata de spray desinfetante. Ele não sabe onde fazer o teste se tiver sintomas e tem medo de ficar doente longe da casa no estado de Illinois, nos Estados Unidos. Apesar disso, ele rejeitou a ideia de usar dias de férias para enfrentar a pandemia.

“Se eu tirar férias de duas semanas, todos vocês morrerão de fome”, disse. O caminheiro, com 20 anos de estrada, havia acabado de levar açúcar para Memphis, cereal para Chicago e esperava um carregamento em Batavia, Illinois, para a carga destinada a um centro de distribuição do Walmart, em Hopkinsville, Kentucky. “Estou aqui tentando manter todos vocês alimentados.”

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