O consumo das famílias brasileiras aumentou 0,8% no período entre julho e setembro de 2019, e estimulou o crescimento das vendas no varejo. Na comparação com o terceiro trimestre de 2018, o comércio cresceu 2,4%. Em relação ao segundo trimestre desse ano, o avanço foi 1,1%, divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (3).

Os números são positivos, mas não isentam o setor de aprimorar a forma como usam as novas tecnologias que as aproximam dos consumidor. O mercado mudou bastante desde 2015, quando a crise começou. Agora, a informação está mais acessível, o consumidor, mais exigente, e as plataformas de venda, mais plurais.

Pode explicar melhor? As vendas online, dados compartilhados e redes sociais são uma mão na roda para as varejistas, nacionais ou locais, conseguirem informações sobre os clientes. Mas o setor peca na hora de segmentar os dados e compreender de fato quem é o consumidor para conseguir ficar mais próximo e visível, avalia Claudio Felisoni, presidente do conselho do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo).

E a ideia de marca com propósito e produto personalizável? Na visão de Felisoni, tudo depende do que está sendo comercializado e de que ações se pretende desenvolver. Não faz muito sentido personalizar uma caneta Bic, por exemplo. Mas há quem pague por uma camiseta mais exclusiva. O objetivo é saber quem é o público e estar disponível e acessível para ele.

Do que dependem os bons resultados do comércio? Informação, integração e confiança. Felisoni lembra que quanto menos passos forem necessários para descobrir ou comprar um produto, melhor. Do ponto de vista da continuidade do crescimento, a peça-chave é a confiança no curto, médio e longo prazo. “Ela vem sendo retomada gradativamente por meio das medida adotadas pelo governo”, diz o presidente do Ibevar.

O que os dados do comércio significam?  Que a queda dos juros estimulada pelo Banco Central, o aumento das concessões de crédito e a redução gradual do desemprego estão surtindo efeito positivo sobre a demanda do consumidor, que estava desaquecida. Entretanto, na visão de Felisoni, “a melhora não é rápida ou imediata porque a crise foi longa, e a economia demora um pouco para retomar sua musculatura”.

O avanço é só efeito do FGTS? Não. A economia está mesmo em recuperação, e o FGTS está dando um gás a mais. Embora empresários estejam cautelosos para o ano que vem, há consenso entre analistas e economistas de que o crescimento é sustentável, embora pequeno.

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