Taxa Selic entre 1% e 1,5%, e PIB com retração de 7% neste ano. Esse é o impacto da pandemia de coronavírus na economia brasileira, segundo previsão do ex-ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto.

“A demanda está caindo e há também queda da oferta global, o que vai gerar recessão profunda e pressão deflacionária”, disse Delfim, em entrevista à Bloomberg.

Qual é o cenário? Capacidade ociosa gigantesca vai impedir o repasse da alta do dólar para a inflação e abrirá caminho para mais cortes de juros pelo Banco Central, que já levou a taxa básica para os atuais 3%.

Delfim também não mostra otimismo com o processo de recuperação pós-pandemia e prevê uma retomada lenta. Para ele, o país perdeu parte de sua capacidade produtiva com erros de política econômica do passado. O crescimento deverá ficar em torno de 2,5% em 2021.

O que ele diz sobre o dólar? Mesmo com os juros em queda, as reservas do país, em cerca de US$ 340 bilhões, e as atuações do Banco Central com venda de dólar à vista impedem que o câmbio saia do controle, afirma o ex-ministro.

Ele reforça que a alta do dólar tem o efeito de melhorar as exportações dos setores agrícola e industrial, reforçando as contas externas.

E a PEC do orçamento de guerra aprovada pelo Congress deu ao BC um novo instrumento para a compra de títulos públicos e privados no mercado secundário. Isso significa que a instituição passa ser fornecedora de liquidez em última instância, o que deve ajudar as empresas a atravessar o período de crise, segundo Delfim.

E a situação fiscal? O ex-ministro diz que o país não tem como realizar investimento público para amenizar o efeito da crise, já que o déficit primário será de quase 10% e a relação dívida/PIB, em torno de 90% neste ano, em razão do aumento de gastos para combater a crise. “Para ampliar os investimentos, nós vamos precisar mobilizar o capital privado externo e o interno com bons projetos.”

Para ele, esse atual aumento do déficit não é preocupante desde que as despesas sejam temporárias e que o governo persista com as reformas após a pandemia. “Temos de fazer uma reforma do estado. Não somos um estado forte, e sim obeso.”

E a crise política? Delfim não acredita que o presidente sofrerá um impeachment, pois o Brasil “está cansado” de aventuras. Mas avalia que o país possa ter a imagem externa afetada pelos desdobramentos das investigações, como a possível divulgação na íntegra do vídeo da reunião entre Bolsonaro e seus ministros, realizada em 22 de abril.

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