A saída dos estrangeiros de ações de empresas brasileiras em fevereiro foi a maior para qualquer mês desde outubro de 2008, mostram dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira (dia 25). Os números incluem ações negociadas no mercado doméstico e também papeis de brasileiras negociados no exterior (as chamadas ADRs).

No mês passado, o saldo entre entradas e saídas ficou negativo em US$ 4,4 bilhões, valor menor apenas do que o registrado em outubro de 2008 (quando a saída foi de US$ 6 bilhões), no auge da crise financeira.

“Os impactos da pandemia nos mercados financeiros são significativos, com o BC tomando todas as medidas necessárias para garantir a liquidez, em moeda estrangeira e nacional, e o funcionamento dos mercados”, afirmou Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC.

Também houve saída de estrangeiros de fundos de investimento brasileiros, segundo os dados do BC. No mês passado, o saldo ficou negativo em US$ 112 milhões, um cenário diferente do observado em fevereiro de 2019, quando as entradas de recursos de outros países em fundos superaram as saídas em US$ 303 milhões.

Por que os estrangeiros estão saindo das ações brasileiras? Um dos motivos é o contexto global de impacto negativo crescente do coronavírus sobre a economia mundial e aumento das incertezas sobre o que vai acontecer, o que já vinha se manifestando em fevereiro.

Os investidores evitam a exposição a ativos de risco, como as ações de empresas em mercados emergentes, e alocam seus recursos em ativos considerados mais seguros, como o dólar, o euro e o ouro.

O segundo motivo tem a ver com o prolongado período de baixo crescimento da economia brasileira: estrangeiros não enxergam nas empresas brasileiras já listadas na bolsa boas perspectivas de crescimento dos lucros.

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