O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região diz que os funcionários do Santander Brasil que estão em home office têm sido pressionados a retornar ao trabalho presencial em plena quarentena. A pressão estaria acontecendo por meio de ligações e mensagens de WhatsApp enviadas por diretores de rede, superintendentes e gestores. “Eles são espertos. Não veio um comunicado formal avisando sobre o retorno, é tudo individual”, diz Rita Berlofa, diretora executiva do sindicato e funcionária do Santander.

Segundo ela, o retorno ao trabalho presencial começaria a partir de segunda-feira (dia 18), com 30% dos funcionários. Esse percentual iria aumentando semana a semana até chegar a 100% em 1º de junho – vale lembrar que o governo de São Paulo estendeu a quarentena até 31 de maio. “Fazer isso agora é expor os funcionários desnecessariamente, ainda mais em São Paulo, pois as pessoas terão que recorrer ao transporte público, que ficou mais lotado com o início do rodízio ampliado.”

Qual é o problema? Para Rita, não faz sentido tirar funcionários que estão em home office hoje para entrar em um rodízio de trabalho presencial. “É só para aumentar o número de trabalhadores que ficarão expostos.”

O que diz o banco? O banco diz que vem mantendo 20% dos funcionários em posições administrativas na sede e que há um rodízio dentro das equipes – enquanto uma parte fica de home office, a outra trabalha na sede.

“O banco acrescenta que foi uma das primeiras empresas no país a garantir que não faria demissões durante o período crítico da crise e, mais recentemente, iniciou um processo de readequação dos objetivos de desempenho dos funcionários, considerando o momento atual”, diz o Santander em nota.

O que diz a lei? Pela lei, o serviço bancário foi considerado essencial, sendo autorizado a funcionar durante a pandemia de coronavírus. Empregadores dessas áreas podem, portanto, convocar seus funcionários a trabalhar presencialmente.

O sindicato tem outras queixas? Sim. Rita diz que o Santander aplicou regras de tratamento diferentes entre os funcionários do Brasil e da Espanha. “Lá, as funções que podem ser desempenhadas de casa, continuam sendo executadas assim.”

Outro problema, segundo ela, é que os funcionários do grupo de risco precisaram apresentar atestados para conseguir trabalhar de casa em um primeiro momento. “Mas o atestado valeu para os primeiros 14 dias. Depois disso, foram colocados em férias, alguns já gastaram todo o período de férias a que teriam direito este ano”, diz a sindicalista.

Como os outros bancos estão procedendo? O Bradesco informa que 90% dos funcionários que trabalham em escritórios estão em regime de home office, e 50% do pessoal de agências, que foram consideradas um serviço essencial. “Nas agências, as equipes trabalham em um sistema de rodízio semanal.”

O Itaú disse o “trabalho remoto foi adotado em todos os nossos centros administrativos e, hoje, 100% dos colaboradores dessas áreas administrativas e grande parcela das áreas comerciais estão trabalhando em home office, com grande eficiência e segurança”. “Não temos uma data estabelecida para retorno, e ele certamente acontecerá de forma gradual e controlada, de modo que nossos colaboradores não sejam expostos a riscos desnecessários.”

Caixa e Banco do Brasil não responderam até a publicação do texto.

Reprodução de mensagem do Santander

Reprodução de mensagem do Santander
Crédito: Reprodução

Reprodução de mensagem de WhatsApp

Reprodução de mensagem de WhatsApp atribuída a funcionários do Santander

Quer tirar suas dúvidas sobre o Imposto de Renda? Você pode mandar suas perguntas para o e-mail [email protected]. Quem nos segue no WhatsApp também pode mandar sua dúvida. Se você quiser entrar no grupo, esse é o link: https://6minutos.com.br/whatsapp.