Gestores de investimento têm recorrido a acadêmicos da área de saúde, organizações mundiais, plataformas de monitoramento de número de mortes e até filmes de zumbi para encontrar pistas sobre o que esperar de uma epidemia de coronavírus que se espalha rapidamente.

No cenário de incerteza, o modelo tradicional de análise de contexto e aportes estratégicos  fica lento e limitado. A solução é recorrer a especialistas da área para entender melhor as implicações, a exemplo do que foi feito no episódio do Brexit. Na ocasião, antecipar algumas tendências junto a consultores foi necessário.

O impacto do coronavírus nos investimentos: investidores tentam gerenciar riscos e descobrir quanto da queda das ações é razoável, dada a escalada de casos do vírus. Até aqui, o rendimento dos títulos de longo prazo do Tesouro dos EUA caiu para uma mínima histórica, e o franco suíço foi à cotação mais alta desde 2015 em relação ao euro. O preço do ouro foi para o maior nível em sete anos.

O que tem sido feito: a Unigestion, casa de análise e pesquisa, monitora a propagação do vírus com dados do Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas da Universidade John Hopkins, que desenvolveu um painel de controle interativo que registra os casos por país, total de mortes e taxa de recuperação.

“Acompanhamos de perto a propagação do vírus fora da China, especialmente em países com alta densidade populacional e sistemas de saúde menos desenvolvidos”, afirmou Salman Baig, gestor de recursos da Unigestion.

Revisão de crescimento da economia: as previsões de estrategistas de mercado para este ano foram destruídas pelo vírus, mesmo antes de todos os efeitos serem refletidos nos dados econômicos. Na semana passada, o Société Générale enviou nota aos clientes para revisar as projeções para o euro, dizendo que as visões do banco “não tiveram um bom começo de ano”.

A Oxford Economics calcula que uma crise internacional da saúde pode ser suficiente para eliminar mais de US$ 1 trilhão do PIB global, enquanto o Fundo Monetário Internacional acredita que o vírus diminuirá em apenas 0,1% sua previsão de crescimento global de 3,3% para 2020. A Unigestion não vê grande impacto no crescimento, por ora.

Reação sem precedentes: a escala das tentativas dos governos de conter o vírus, como com bloqueios de cidades e restrições de viagens, é uma “reação extrema” que parece sem precedentes, dificultando a rapidez com que a economia global poderia se recuperar, disse Richard Lacaille, diretor de investimentos da State Street Global Advisors, em entrevista à Bloomberg Television.

Para o gestor de fundos da M&G, Wolfgang Bauer, que é PhD em química pela Universidade de Cambridge, vale a pena ser cauteloso em relação aos modelos adotados até agora, dada a natureza dispersa das informações disponíveis.

“A situação está evoluindo tão rápido que qualquer tentativa de avaliação precisa das implicações mais amplas é quase impossível, pois as margens de erro são muito altas”, disse.

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