O Brasil registrou uma queda de 26% no volume de cargas transportadas por caminhões, após a determinação do fechamento de várias empresas e serviços não essenciais em razão da pandemia do coronavírus.

Os números são de uma pesquisa realizada pela associação de empresas de transporte NTC&Logística e levam em conta o movimento dos dias 23 e 24 de março em relação à média de dias comuns.

O levantamento, com quase 600 transportadoras, revelou o seguinte:

  • Queda de 29,8% no transporte de cargas fracionadas, que atendem a distribuidores, lojas e supermercados;
  • Redução de 22,9% em cargas lotação, que atendem a setores do agronegócio, do comércio geral e de grande parte da indústria.

O que pesou para esse resultado? Considerando apenas o agronegócio, segmento classificado pelo governo como essencial e isento de restrições, a queda na demanda por transporte é de 11,5%, pressionada mais por produtos perecíveis, como hortaliças.

Por outro lado, o escoamento da safra de soja tem garantido firmeza na procura por caminhões que transportam grãos, disse à Reuters o responsável pela pesquisa, Lauro Valdivia.

O Brasil, maior exportador global de soja, está transportando uma safra recorde para os portos, com destino ao mercado internacional, especialmente a China. A expectativa é a de fluxos constantes neste período de colheita, até porque o país asiático precisa repor estoques enquanto sua atividade industrial é retomada após a crise do coronavírus.

Outros setores. Em carga de lotação, a pesquisa apontou o seguinte:

  • Recuo de 55,3% no transporte de produtos da indústria de embalagens;
  • Queda de 37,6% na movimentação de produtos da indústria automobilística;
  • Redução de 16,2% no transporte de produtos não refrigerados da indústria alimentícia e queda de 20,7% para refrigerados;
  • Encolhimento de 18,6% na carga para comércio e supermercados.
  • O transporte de produtos do setores químico e agroquímico viu recuo menos acentuado, de 7,9%.

Valdivia explicou que falta demanda para transporte da maioria dos setores, mas destacou que também há problemas de falta de pagamento, o que faz com a transportadora deixe de realizar novos serviços.

“Tem situações que a gente nem imagina, um grande cliente disse que ‘não ia pagar’; aí ou transportador falou, ‘se não vai me pagar, não vou retirar cargas”, comentou o especialista, explicando que muitos clientes de transportadoras, devido ao fechamento de comércios e empresas, estão sem recursos para honrar pagamentos, mesmo de fretes fechados antes da crise.

Segundo ele, mais de 50% dos clientes estão dizendo para transportadores que não têm recursos para pagar faturas anteriores. “Dizem que não têm condições, não têm caixa. Se a quarentena perdurar, isso vai trazer mais problemas.”

Custos. Ele comentou que os dois principais custos do transportador (combustível e mão-de-obra) são pagos praticamente à vista, o que deixa as empresas que transportam em situação difícil, se não recebem faturas anteriores.

Uma das soluções seria a postergação de pagamentos de impostos, comentou Valdivia.

“O pessoal está pedindo para prorrogar prazo de pagamentos de impostos, mas, com relação ao volume de cargas, só quando voltar mesmo.”

Setor farmacêutico. O único segmento que registrou aumento foi a indústria farmacêutica, ainda assim uma alta modesta de 0,84%.

O presidente da NTC&Logística, Francisco Pelucio, ainda ressaltou em nota que há setores que continuam sendo abastecidos. “Não houve recuo na entrega de medicamentos. As farmácias estão sendo atendidas”, destacou.

(Com Reuters)

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