O setor público consolidado brasileiro teve déficit primário de R$ 131,438 bilhões em maio e viu a dívida bruta ultrapassar o patamar de 80% do PIB (Produto Interno Bruto), renovando seu recorde histórico, em um reflexo dos impactos dramáticos da crise com o coronavírus no front fiscal. 

O déficit primário foi o pior dado mensal da série do BC (Banco Central) iniciada em dezembro de 2001, informou a autarquia nesta terça-feira (30). Analistas esperavam um rombo ainda maior, de R$ 135 bilhões.

Quem ficou no vermelho? O governo central (governo federal, BC e Previdência) ficou no vermelho em R$ 127,092 bilhões. Enquanto isso, Estados e municípios tiveram déficit de R$ 4,768 bilhões.

Por outro lado, as empresas estatais registraram superávit de R$ 422 milhões.

O efeito auxílio emergencial: O Tesouro já havia informado que o déficit do governo central fora afetado pela queda na arrecadação dos impostos e aumentos nos gastos para enfrentamento da pandemia. Só para o auxílio-emergencial, foram direcionados mais de R$ 40 bilhões.

Em 12 meses, o déficit do setor público consolidado foi a R$ 282,85 bilhões. O eequivalente a 3,91% do PIB (Produto Interno Bruto). 

O que esperar para 2020? A projeção de déficit primário para o setor público ainda é de R$ 708,7 bilhões, ou 9,9% do PIB.

Segundo o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, considerando a renovação do auxílio emergencial, o rombo deverá ir para casa de R$ 850 bilhões, ou 11,5% do PIB. 

Nesse quadro, o Brasil caminha para um déficit nominal, que abarca também as despesas com juros, acima de 15% do PIB em 2020. É o mesmo patamar projetado para países como os Estados Unidos.

Como está a dívida? A dívida pública bruta ficou acima do esperado e bateu um novo recorde ao saltar para 81,9% do PIB, ante 79,8% em abril.

A dívida líquida, por sua vez, foi a 55% do PIB, ante 52,8% em abril e projeção do mercado de 54,5% do PIB.

Na segunda-feira, Mansueto estimou que o país encerrará este ano com dívida bruta acima de 95% do PIB e dívida líquida superior a 65% do PIB.

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