O início da crise do coronavírus acertou em cheio as empresas que atuam no setor de saúde. Os investidores ficaram preocupados com a capacidade de resposta das companhias, e o tombo no preço das ações foi grande.

Entre abril e maio, a recuperação começou a se desenhar. A Raia Drogasil avançou 4,48% no período e a Notre Dame Intermédica se valorizou 3,12%.

Para João Vitor Freitas, analista da Toro Investimentos, as empresas estão conseguindo responder à situação. “Além disso, o setor da saúde é promissor porque é um serviço essencial. A pandemia reforça a necessidade do cuidado”.

Ele analisa que a questão da tecnologia tensionou algumas empresas, mas os ajustes que precisaram ser feitos, de ordem tecnológica, serão vantajosos no médio prazo.

Como estão as ações e o mercado do setor? Abaixo estão as principais ações das empresas de saúde entre dezembro, antes dos casos de coronavírus na China, e o cenário mais recente em  maio. O gráfico não representa o preço real dos papéis, e foi construído na base 100, como se todos as ações saíssem do mesmo patamar. Assim fica mais fácil entender o comportamento do preço. 

 

Para o analista da Toro, os destaques de segmento e empresas são:

No segmento de varejo farmacêutico: Raia Drogasil 

A Raia Drogasil é o destaque. Em março, as ações até caíram 15%, mas a companhia respondeu às demandas por e-commerce e cuidados pessoais. Isso é positivo.

No ano passado, a empresa concluiu a aquisição da Onofre e o timing foi perfeito. A Onofre tem uma operação digital robusta, o que ajudou na resposta da Raia Drogasil na pandemia.

O balanço de resultados do 1º trimestre mostrou que um estoque fortalecido, caixa tranquilo e o endividamento controlado. Freitas junta isso à perspectiva de consolidação do e-commerce e do autocuidado no pós-pandemia, e vê como boa sugestão as açoes da empresa.

Operadoras Notre Dame Intermédica e Hapvida 

Ambas operadoras são verticalizadas. Sua rede credenciada é ela própria, e os hospitais, laboratórios e clínicas são de um dono só. Isso dá à operadora mais controle sobre os preços.

Mas o cenário é desafiador. Na Notre Dame Intermédica, a maior parte dos beneficiários vem de contratos corporativos. A depender da quantidade de demissões na economia, o estrago na empresa pode ser grande.

Outro desafio é a queda nos serviços em clínicas e laboratórios.Enquanto dura o período mais agudo da crise há baixa nos exames e consultas eletivas. Mas passado o pior, a demanda reprimida começa a se reaquecer. No médio prazo, as operadoras verticais se beneficiam.

E nos laboratórios de exames? Fleury e Hermes Pardini 

O momento é mais de desafio porque há poucos exames. Mas o cenário se normalizará à medida em que a pandemia se resolver. “Saúde tem caráter essencial”, registra Freitas.

Enquanto isso, o laboratório Fleury tem histórico de boa geração de caixa. É a mesma situação do laboratório Hermes Pardini, comum no Estado de Minas Gerais. Freitas vê potencial de valorização para ssas duas empresas.

Na indústria farmacêutica, Hypera 

No curto prazo é preciso cautela, mas vale acompanhar a empresa nos próximos meses. Por agora,  as vendas podem cair. No pico da crise, as pessoas reduzem consumo de medicamentos em geral. A alta do dólar também prejudica porque muitos insumos são importados, elevando o custo de produção. Mas a empresa vinha num movimento de aquisição de marcas fortes e tradicionais, como Buscopan, e isso é excelente.

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