O tom negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta sexta-feira (21), fazendo o Ibovespa acumular queda na semana, afetado pela aversão a risco no exterior, conforme permanecem as preocupações relacionadas aos efeitos do surto de coronavírus na economia chinesa e seus reflexos na atividade global.

O viés de baixa foi reforçado pelo forte recuo dos papéis da Vale, após prejuízo trimestral bilionário e risco de nova provisão também bilionária relacionada ao desastre em Brumadinho (MG) e pelo fim de semana prolongado no Brasil em razão do Carnaval, com a B3 reabrindo apenas na quarta-feira.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,79%, a 113.681,42 pontos, contabilizando uma perda de 0,6% na semana. O volume financeiro nesta sexta-feira somou R$ 21,8 bilhões.

Coronavírus volta a preocupar. O Politburo do Partido Comunista chinês, conduzido pelo presidente Xi Jinping, disse que o momento de virada do surto de coronavírus na China ainda não aconteceu, enquanto o jornal do partido alertou que seria um erro imaginar que já se pode ver uma vitória.

“Tememos que o impacto econômico na Ásia possa ser maior do que pensávamos, pois mais interrupções foram relatadas devido a medidas de contenção”, afirmou a equipe do Barclays em nota a clientes.

Os riscos relacionados ao coronavírus para a economia global devem ser discutidos por líderes financeiros do G20, que se reúnem na Arábia Saudita no fim de semana, em meio a tentativas de evitar que o surto vire uma pandemia global.

“O aumento dos novos casos de coronavírus fora da China deixa os mercados preocupados”, acrescentou o gestor Ricardo Campos, sócio na Reach Capital, chamando a atenção também para dados mais fracos da economia chinesa recentemente, que têm elevado o temor de um efeito maior e mais prolongado no PIB.

“O sinal é de cautela no mercado externo”, reforçou, citando o movimento do ouro, que atingiu máxima de sete anos nesta sexta-feira.

Destaques do Ibovespa

VALE ON recuou 3,97%, após reportar prejuízo líquido de US$ 1,56 bilhão no quarto trimestre de 2019, principalmente devido a baixas contábeis e provisões relacionadas ao rompimento de barragem em janeiro de 2019, bem como afirmar que avalia provisão adicional de US$ 1 bilhão a US$ 2 bilhões relacionada ao desastre. BRADESPAR PN, holding que concentra seus investimentos na Vale, caiu 1,5%.

PETROBRAS PN perdeu 2,6% e PETROBRAS ON cedeu 2,8%, em sessão de queda dos preços do petróleo no exterior.

ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 1,18%, afetado pelo viés negativo no mercado como um todo, com BRADESCO PN recuando 0,8%.

LOJAS AMERICANAS PN avançou 7,7%, maior alta do Ibovespa, tendo de pano de fundo o balanço do quarto trimestre, com lucro líquido de R$ 398 milhões, avanço de 62% sobre o desempenho de um ano antes, com vendas maiores e avanço das operações de comércio eletrônico do grupo.

B2W, controlada pela Lojas Americanas, fechou em alta de 2,5%, revertendo fraqueza no começo do pregão. A varejista de comércio eletrônico divulgou prejuízo líquido de R$ 22,3 milhões no quarto trimestre, embora menor do que a perda de R$ 69,4 milhões no mesmo período de 2018. Em teleconferência, executivos afirmaram que busca até 2022 acelerar crescimento e geração de caixa, bem como reduzir investimentos em 2021 e 2022 ante 2020.

WEG ON valorizou-se 4,86%, ainda refletindo avaliação positiva sobre os números da companhia no último trimestre divulgados nesta semana, que superaram as expectativas.

MARFRIG ON subiu 1,6% e JBS ON avançou 0,74%, ganhando fôlego no final da sessão após a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, anunciar no Twitter que os Estados Unidos reabriram o mercado de carne bovina “in natura” para exportações do Brasil. Fora do Ibovespa, MINERVA ON fechou em alta de 2,8%.

CCR ON caiu 1,4%, tendo no radar leilão de trecho da BR-101 em Santa Catarina, vencido pela empresa com oferta de deságio de tarifa de pedágio de mais de 60%. A companhia superou oferta da rival ECORODOVIAS, que caiu 0,9%.

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