Em um dia em que as incertezas em relação ao impacto de uma segunda onda do coronavírus pesaram mais do que boas notícias, o Ibovespa fechou o pregão desta terça-feira (dia 30) em queda de 0,71%, a 95.055 pontos.

Apesar disso, o principal índice da bolsa encerrou o mês e o trimestre no terreno positivo após o duro golpe do coronavírus sobre o mercado no primeiro trimestre–os avanços foram 8,7% no acumulado deste mês e de 30,1% no período entre abril e junho.

A performance trimestral foi a melhor desde 2003. Quando se considera apenas os segundos trimestres, o avanço foi o maior desde 1997.

Essa forte recuperação do mercado nos últimos meses teve como base o forte aumento da liquidez global, consequência da série de estímulos em vários países, em especial os Estados Unidos, como forma de combater os efeitos do coronavírus sobre as economias.

Além disso, no Brasil a taxa básica de juros, a Selic, continuou a ser reduzida, o que retira a atratividade de investimentos em renda fixa e estimula a busca por retornos melhores, como os em renda variável.

Nesta terça, o pessimismo foi reforçado pelo fato de que, nos EUA, alguns governadores, como os dos estados de Washington e Flórida, decidiram voltar atrás na decisão de relaxar a quarentena por causa da disparada de casos.
Essa perspectiva mais pessimista dos efeitos de uma segunda onda da infecção acabou prevalecendo sobre dados positivos sobre a atividade econômica na China em junho –o índice de gerente de compras do gigante asiático– e também das declarações otimistas do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a recuperação brasileira.

Dólar

O dólar fechou o dia em alta de 0,27%, a R$ 5,44 –no acumulado do mês, acumulou valorização de 1,87%; no trimestre, a apreciação foi de 4,73%.

Na primeira metade do trimestre –do começo de abril até meados de maio– a moeda americana se valorizou de forma intensa e contínua, flertando com o recorde histórico nominal perto de R$ 6 diante de acirramento de tensões políticas domésticas.

A partir do meio de maio até início de junho, a melhora do ambiente externo, massivas injeções de liquidez por bancos centrais e uma maior atuação do BC no mercado de câmbio motivaram desmontes de posições compradas em dólar, o que levou a divisa à casa de R$ 4,85 no começo deste mês.

Mas a gangorra persistiu e, desde então, o dólar ingressou em novo período ascendente, com o aumento das incertezas globais em torno de uma segunda onda de coronavírus e também a redução dos juros básicos no Brasil, que torna o país menos atrativo a investidores estrangeiros.

(Com a Reuters)

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