Dividido entre o otimismo com os dados de atividade na China pós-coronavírus e a incerteza com a economia doméstica, o Ibovespa operou durante boa parte do dia próximo da estabilidade e fechou o pregão em queda de 2,17%, para 73.019 pontos.

Em março, atingido duramente pelas incertezas trazidas pela pandemia, o principal índice da B3 perdeu 29,9%, a pior queda para qualquer mês desde agosto de 1998, quando, em meio à crise russa, a bolsa recuou mais de 45%. Quando se considera o primeiro trimestre, o mercado acionário amargou 36,8% em perdas, o pior resultado desde pelo menos 1994.

Neste pregão, o bom resultado do PMI (sigla em inglês para Índice de Gerentes de Compras) oficial da China, que mede as aquisições de insumos para a produção, amenizou uma queda que poderia ser ainda maior. O índice subiu para 52 pontos em março, ante 35,7 em fevereiro, e resultados acima de 50 pontos sinalizam crescimento da economia, o que animou os mercados.

“As bolsas no exterior subiram na madrugada com dados positivos do PMI chinês mostrando recuperação industrial e de serviços da China, importante para o Brasil, já que a economia de lá impacta muito nas nossas exportações de commodities”, afirmou Cristiane Fensterseifer, analista de ações da casa de análises Spiti.

O receio com a escalada dos casos do coronavírus no Brasil e no mundo, além dos impactos sobre as empresas, falou mais forte, entretanto.

No mercado interno, dados mostraram que, mesmo antes de a pandemia se agravar, a taxa de desemprego subiu de 11,2% para 11,6% no trimestre encerrado em fevereiro, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ou seja, a economia já não ia bem mesmo antes dos fortes efeitos esperados sobre a atividade da quarentena necessária para restringir a infecção.

Além disso, os atritos entre o presidente Jair Bolsonaro e governadores sobre a condução da crise, e a ameaça do Poder Executivo de liberar o trabalho de todas as profissões, aumentam as inseguranças.

EUA

O S&P 500, índice dos EUA que reúne as ações das 500 maiores empresas, fechou em queda de 1,6%.

O índice teve o pior primeiro trimestre desde 1938, em meio às evidências crescentes dos danos em larga escala causados pelo colapso dos preços do petróleo e da atividade empresarial como consequência do coronavírus.

Mesmo após uma bateria de medidas globais de estímulos econômicos e notícias melhores sobre desenvolvimento de vacinas e testes, este mês e o período entre janeiro e março terminam com uma série de incertezas.

Nesse cenário, a aposta de manutenção da volatilidade em níveis elevados é consenso entre agentes financeiros. Para o analista Jasper Lawer, chefe de pesquisa no London Capital Group, o primeiro trimestre está quase acabando e há um monte de medidas de alívio no mundo. “Um mês novo pode oferecer alguma perspectiva nova, e talvez uma mais construtiva.”

(Com a Reuters)

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