Há apenas oito dias, a cotação do dólar comercial vinha caindo e voltava a conseguir fechar abaixo de R$ 4,00 — R$ 3,99, na terça-feira (5). De lá para cá, foi a tempestade perfeita e o resultado se viu nesta quarta-feira (13): a moeda americana fechou em sua segunda maior cotação da história, a R$ 4,19 (R$4,187).

O que aconteceu para o dólar subir tanto? Vamos relembrar os últimos acontecimentos.

E o que isso tudo tem a ver com a cotação do dólar? O início do ciclo de altas, o megaleilão do pré-sal, está relacionado com a circulação da moeda americana no mundo. Criou-se a expectativa de que o Brasil receberia uma volumosa injeção de dólares de empresas estrangeiras com o leilão e os investimentos posteriores. Acontece, no entanto, que o certame foi dominado pela Petrobras, ou seja, é dinheiro brasileiro que será aplicado na exploração.

As tensões da guerra comercial entre chineses e americanos ditam uma regra clássica para os investidores: em momentos de instabilidade mundial, busca-se mercados mais sólidos, que podem render menos mas evitam perdas. Cada vez que o cenário comercial mundial se torna mais instável, fica mais difícil atrair investimento para o Brasil.

E se esse é o cenário mundial, não haveria pior momento para os fatos mais recentes. Se não bastasse estar inserido em um continente que atravessa instabilidade, o Brasil ainda tem suas próprias incertezas. A reentrada do ex-presidente Lula no debate político e a decisão do presidente Jair Bolsonaro de se desfiliar de seu partido, o PSL, colocam em compasso de expectativa os rumos das propostas econômicas apresentadas pelo governo.

Ibovespa também tem dia ruim. O principal índice da bolsa brasileira fechou esta quarta-feira em queda de 0,65%, aos 106.059 pontos. Influenciada diretamente pelo cenário envolvendo a guerra comercial e a crise na América Latina, o Ibovespa só não caiu mais porque, a longo prazo, a perspectiva é positiva para o Brasil.

“A baixa presença externa estrutural nos mercados de ativos brasileiros e perspectivas construtivas de reformas tornam os ativos brasileiros atrativos, especialmente para investidores com um horizonte temporal mais longo”, apontaram analistas do Credit Suisse, em nota.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou depois de reunião bilateral com o presidente chinês, Xi Jinping, que o governo e os empresários brasileiros querem ampliar e diversificar o comércio com a China. Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, o governo brasileiro tem conversas para ampliar o número, o escopo e o valor agregado dos produtos que o Brasil hoje exporta para a China.

(Com Reuters)

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