Em meio ao maremoto que engoliu a maioria dos papeis de empresas negociadas nas principais bolsas americanas desde a semana passada, chamou a atenção o fato de uma ação ter se mantido de cabeça de fora. Entre 17 de fevereiro e 2 de março, a Netflix se valorizou 0,17%, na contramão de uma queda de mais de 8% dos principais índices dos EUA no período.

A razão da alta é curiosa: o mercado acredita que a plataforma de streaming irá se beneficiar se muita gente tiver que ficar em casa “quarentenado” devido ao aumento dos casos de coronavírus.

Essa, aliás, é uma aposta de analistas de mercado: de que empresas ligadas ao mercado de entretenimento digital (além de Netflix, a Disney e Amazon, por exemplo, que também possuem serviços de streaming), serviços de entrega, como o Mercado Livre, e mesmo redes sociais,  como o Facebook e Twitter, poderão ganhar valor (ou perder menos) no curto prazo.

Até agora, apenas a previsão da Netflix se cumpriu, mostram dados levantados para o 6 Minutos pelo Investing.com.

Como se comportaram os papeis de outras empresas ligadas ao entretenimento digital e serviços de entrega? A maioria dessas empresas apresentou queda em linha ou até superior à da média do mercado, já que em alguns casos possuem receitas importantes vindas de anúncios e em outro dependem muito mais do faturamento de empreendimentos físicos.

As ações da Amazon caíram 8,47% entre 17 de fevereiro e 2 de março, pico do impacto da crise do coronavírus sobre os mercados mundiais. Foi um recuo não distante dos principais índices americanos no período (o Dow Jones desabou 9,16%; o S&P 500, 8,5% e o Nasdaq Composite, 8,01%).

No caso da rede social Facebook, o recuo foi de 8,28% entre 17 de fevereiro e 2 de março; do Google, 8,7%. Houve quem tenha perdido ainda mais valor no período: os papeis da Walt Disney Corporation desabaram 14,02% e da empresa argentina Mercado Livre, um dos portais mais visitados da América Latina, caíram 12,64%.

A avaliação de Leandro Manzoni, da Investing.com, é que, nesses casos, os impactos negativos do agravamento da doença sobre a economia e as restrições à movimentação de pessoas serão maiores do que eventuais benefícios.

E quem mais perdeu valor nas bolsas americanas? Assim como observado no mercado brasileiro, as companhias aéreas estiveram entre as maiores quedas nos EUA, com a previsão de queda no número de viagens nos próximos meses.

A American Airlines, por exemplo, caiu 35,41% entre 17 de fevereiro e 2 de março, e a United Airlines desabou 22,99%.

 

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