O pessimismo provocado por uma nova onda de notícias ruins sobre o aumento do alcance da epidemia do coronavírus provocou um dia de queda generalizada pelos mercados globais nesta segunda-feira (24).

O ciclo de perdas que começou com o fechamento negativo de quase todo o mercado asiático em razão de novos casos na Coreia do Sul, se consolidou com as bolsas de valores europeias perdendo quase meio trilhão de dólares em um único pregão sob a influência da força da doença no norte da Itália e viu o dia aterrorizante se encerrar com a forte queda dos três principais índices do mercado norte-americano. Em razão do Carnaval, o mercado brasileiro não terá operações hoje e amanhã.

Último grande mercado do dia a fechar, os EUA registraram tombos expressivos em: o índice Dow Jones recuou 3,55% e perdeu mais de 1.000 pontos; o S&P teve recuo de 3,35%; e a Nasdaq fechou a 2ª com perda de 3,71%.

O que aconteceu nesta segunda? Uma série de casos de coronavírus fora da China eliminou cerca de US$ 474 bilhões de dólares dos mercados acionários europeus nesta segunda-feira (24), com os investidores reavaliando o provável impacto do surto. O mercado asiático já havia mostrado a força negativa das notícias sobre uma piora das condições da epidemia na Coreia do Sul, que derrubou praticamente todos os índices da região.

O novo coronavírus já infectou mais de 79 mil pessoas em todo o mundo. A China, onde a doença se originou, ainda é responsável pela maior parte dos casos e óbitos. Nos últimos dias, porém, o contágio avançou não apenas na Itália, mas também na Coreia do Sul e no Irã.

Apesar da disseminação da doença, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, descartou uma pandemia no momento. “No momento, não vemos avanço global incontido do vírus e não vemos mortes em alta escala”, disse Tedros. “O vírus tem potencial pandêmico? Com certeza. Estamos lá? Achamos que ainda não”, acrescentou.

Novos casos na Itália fazem mercados europeus perderem quase meio trilhão de dólares

Uma queda de 5,4% levou as ações de Milão a registrarem o pior dia desde meados de 2016, uma vez que a Itália informou o maior aumento do vírus na Europa com ao menos seis mortes e mais de 200 infecções, o que deverá prejudicar ainda mais a economia do país.

O índice FTSEurofirst 300 caiu 3,76%, a 1.605 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 3,79%, a 412 pontos, registrando a maior queda percentual intradia desde que o Reino Unido votou para sair da União Europeia em junho de 2016.

Um aumento no número de infecções na Coreia do Sul e no Irã levou a movimentos generalizados de saída de ações e busca de ativos seguros.

“Hoje significa que os mercados não esperavam que isso se tornasse uma grande questão fora da China”, disse Craig Erlam, analista sênior de mercado da Oanda. “Os investidores vão ficar muito mais sensíveis agora.”

As empresas aéreas ficaram entre os piores desempenhos no STOXX 600, com EasyJet, Ryanair, Air France e Lufthansa caindo entre 7,4% e 12,6%.

O índice de viagem e lazer da Europa despencou 6% e foi o setor regional com maior fraqueza.

Em Londres, o índice Financial Times recuou 3,34%, a 7.156 pontos.

Em Frankfurt, o índice DAX caiu 4,01%, a 13.035 pontos.

Em Paris, o índice CAC-40 perdeu 3,95%, a 5.791 pontos.

Em Milão, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 5,43%, a 23.427 pontos.

Em Madri, o índice Ibex-35 registrou baixa de 4,07%, a 9.483 pontos.

Em Lisboa, o índice PSI20 desvalorizou-se 3,53%, a 5.197 pontos.

Agravamento do surto de coronavírus na Coreia do Sul derruba mercados asiáticos

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta segunda-feira, em meio a crescentes temores com a disseminação do coronavírus, que teve origem na China, mas começa a se espalhar com mais força por outros países, como Coreia do Sul, Itália e Irã.

A situação do coronavírus é particularmente preocupante na Coreia do Sul, que hoje divulgou mais um salto no número de casos da doença, de 231, que eleva o total acumulado para 833. Já o número de mortos por coronavírus na Coreia chega a sete. Com o avanço da epidemia, o governo sul-coreano elevou seu alerta para o coronavírus ao maior nível possível.

Na China, foram relatados mais 409 novos casos e 150 mortes. Com a atualização, o total de casos confirmados no país desde o início do surto atingiu 77.150, com 2.592 mortes. O índice acionário Kospi liderou as perdas na Ásia hoje, encerrando o pregão com queda de 3,87% em Seul, a 2.079,04 pontos.

Em outras partes da Ásia, o chinês Xangai Composto recuou 0,28%, a 3.031,23 pontos, o Hang Seng caiu 1,79% em Hong Kong, a 26.820,88 pontos, e o Taiex cedeu 1,30% em Taiwan, a 11.534,87 pontos. No Japão, um feriado local manteve a Bolsa de Tóquio fechada. Exceção, o Shenzhen Composto – que é composto por empresa chinesas de menor valor de mercado – avançou 1,36%, a 1.933,36 pontos. Como já havia sinalizado na semana passada, a China decidiu hoje adiar a reunião de cúpula anual do Congresso Nacional do Povo, que estava prevista para começar dia 5 de março.

Na Oceania, a bolsa australiana registrou hoje sua maior perda do ano em um único pregão. O S&P/ASX 200 caiu 2,25% em Sydney, a 6.978,30 pontos, eliminando num único dia os ganhos acumulados em quase três semanas.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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