A alta nos preços da carne e da energia elétrica impactou o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). O índice que mede a inflação oficial acelerou e subiu 0,51% em relação a outubro. Apesar da alta maior nos preços, a expectativa do analista Luís Sales, da Guide Investimentos, é que o Copom (Conselho de Política Monetária) mantenha a intenção de reduzir a taxa básica de juros.

“A inflação acelerou, mas ainda está em 3,12% no ano, abaixo da meta para o ano. Portanto, não deve mudar a tendência atual. E nós também projetamos que o preço da carne comece a se estabilizar já em janeiro sem maiores preocupações”, diz Sales ao 6 Minutos.

A última reunião do Copom no ano acontece na próxima semana, nos dias 10 e 11. No encontro anterior, quando a taxa Selic foi reduzida de 5,5% a 5,0% ao ano, o conselho indicou uma redução “de igual magnitude” no encontro de dezembro. Portanto, para 4,5% ao ano.

Para analista, juros baixos são “águas nunca antes navegadas” e BC deve aguardar impacto antes de prosseguir com ciclo de reduções em 2020. Crédito: Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O analista, no entanto, projeta que esse deve ser o fim do ciclo de reduções de juros. Segundo ele, o consenso no mercado é de que após o novo corte neste mês a expectativa é que o Banco Central coloque um freio para analisar como a economia brasileira reage às taxas, que são as menores da história.

“A gente costuma dizer que são ‘águas nunca antes navegadas’. A partir do ano que vem é uma incógnita. Será preciso sentir o impacto dos juros neste patamar antes de decidir o próximo passo”, diz Sales.

Ele ressalva que ainda existem projeções que enxergam a possibilidade de uma redução ainda um pouco maior nas próximas reuniões, chegando a casa de 4,25%, mas que esse deve ser o piso para a Selic antes de novos indicadores sobre o reflexo dos juros baixos.

Relação com o dólar. Em geral, quando uma economia emergente reduz suas taxas de juros a um ritmo mais acelerado que o da economia dos Estados Unidos, a tendência natural é que a moeda desse país se desvalorize em relação ao dólar, pela menor atratividade dos investimentos neste país.

Em relação ao real, o entendimento é que o corte da Selic a 4,5% já está precificado pelo mercado e que a própria queda na cotação do dólar comercial nesta semana no Brasil já reflete a estimativa de que o BC reduzirá o ímpeto no corte de juros.

Para o analista da Guide, a estimativa é que daqui até o final do ano o dólar se mantenha no patamar registrado ao final desta semana, entre R$ 4,10 e R$ 4,15. Nesta sexta-feira, a moeda americana caiu 1,02% e encerrou o dia cotada a R$ 4,14.

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