Uma pesquisa do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostrou que grande parte dos brasileiros que cai no cheque especial é reincidente.

Segundo o levantamento, 20% dos consumidores recorreram à modalidade de crédito emergencial no último ano. Desse total, 40% caem no cheque especial todos os meses, o que indica um descontrole total do orçamento. Outros 30% usam a modalidade a cada dois ou três meses, e 27% pelo menos três vezes ao ano.

Menos de um terço dos que recorrem ao cheque especial chegam a buscar outras opções de crédito mais baratas, antes de ficarem pendurados no limite extra.

Por que isso é ruim? Os juros do cheque especial estão em uma trajetória crescente, e já alcançam mais de 320% ao ano – são um dos mais caros do mercado de crédito.

Quer ter dimensão do problema? Aqui vai um exemplo: se o consumidor deixar R$ 500 pendurados no cheque especial, um ano depois ele terá uma dívida de R$ 2.110. Em dois anos, o valor a pagar terá saltado para nada menos que R$ 8.900.

A pesquisa mostrou que 43% dos brasileiros não fazem ideia do valor dos juros cobrados no cheque especial, e que 34% já foram negativados, por causa de dívidas nessa modalidade.

Por que as pessoas recorrem ao cheque especial, mesmo sendo tão caro? A primeira razão é a disponibilidade. Em geral, essa modalidade de crédito é pré-aprovada – ou seja, o cliente pode estourar a conta sem ter que pedir permissão ao banco. Por essa facilidade, muitas pessoas acabam utilizando o cheque especial para pagar contas corriqueiras, e não para casos pontuais.

“É um erro incorporar o limite do cheque especial como parte da renda. Essa ilusão pode levar o consumidor a gastar mais do que o orçamento permite e ver sua dívida se transformar em uma bola de neve muito difícil de ser paga”, diz José Vignoli, educador financeiro do SPC Brasil.

Uma série de pesquisas comportamentais mostram que o brasileiro superestima sua renda, e essa é uma das principais razões para o descasamento entre despesas e ganhos. O levantamento do SPC/CNDL comprova isso: menos da metade dos usuários do cheque especial recorreram a esse crédito por gastos emergenciais, ou por imprevistos.

O descontrole do orçamento foi motivo para 25% deles, e os que tiveram que usar o crédito para pagar contas que estavam no limite do vencimento foram 23%.

“O consumidor tem de ter clareza de que o dinheiro incorporado ao seu saldo bancário não é seu. Se usar, terá de devolver, e pagando juros altíssimos, afinal, se trata de um tipo de empréstimo.”, alerta Vignoli, do SPC Brasil.

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