* Atualizado às 12h01 de 30/01/2020
Enquanto você lê este texto, milhões de brasileiros estão endividados. Parte disso se deve à falta de organização financeira, que tem como uma ferramenta importante o orçamento. Isso ajuda as pessoas em seus planos de médio prazo e a ter mais uma vida financeira mais equilibrada.  O risco de não fazê-lo ou não acompanha-lo é se desorganizar mesmo nos gastos obrigatórios como alimentação, aluguel e transporte, alerta Caio Henrique Alberconi, da Par Mais – Investimentos Financeiros. Ele deu sugestões para ajudar a montar e monitorar seu orçamento.
Mulher faz orçamento - 6 minutos

Veja como montar um orçamento em 7 passos
Crédito: Shutterstock

Passo 1

Tire um dia para separar seus gastos em duas categorias principais: despesa rotineira e despesa eventual.

Despesa rotineira: aluguel, condomínio, parcelas de algum financiamento, gasto com TV, internet e celular, assinaturas de serviços, transporte e mensalidades escolares.

Despesas eventuais: troca de carro, bar e restaurante, viagem curta, lazer esporádico, roupa nova.

Use o cartão de crédito e débito a seu favor. Todos os registros de gastos ficam no aplicativo do banco no celular ou no internet banking. É só acessar o extrato e ir separando onde aconteceu o gasto e com o quê. Com certeza você vai bater o olho e saber diferenciar o que é despesa rotineira e o que é eventual.

Passo 2

Anote quanto você ganha também. Salário, rendimentos, pensão, aposentadoria etc. Se for profissional liberal, veja quanto recebeu no mês. É importante ter uma média de rendimento mensal.

Passo 3

Separe as despesas em subcategorias, como Despesa Rotineira/Alimentação/Supermercado. Ou Despesa Rotineira/Saúde/Academia, por exemplo.

Passo 4

Identifique se o gasto está em linha com sua renda mensal (passo 2). O ideal é que o total de despesas seja menor que sua receita. Afinal, seu padrão de vida não pode custar mais do que o quanto você ganha.

Caso o gasto esteja maior que a receita, é hora de olhar para subcategorias como Despesa Rotineira/Saúde/Academia e analisar o que dá para cortar ou reduzir, ainda que seja por um tempo apenas.

Passo 5

Agora que você conhece os seus gastos, comece a planejar as despesas do mês seguinte – o que só 30% dos brasileiros costumam fazer, segundo o SPC. Alberconi sugere que metas sejam estabelecidas: quanto você pode gastar com bares e restaurantes para lazer no mês, e dividir isso por semana, por exemplo.

Passo 6

Enquanto você se educa a fazer e monitorar o orçamento, obrigue-se a anotar os gastos que teve durante a semana aos sábados ou domingos, normalmente os dias em que temos mais tempo para cuidar de nós mesmos. A ideia é checar se a despesa planejada para aquela subcategoria está dentro do proposto ou se já estourou o orçamento. No caso de bar e restaurante: se você tem R$ 400 mensais disponíveis, quanto já gastou? E quanto sobra para essa subcategoria até o fim do mês? Monitore o valor orçado e o gasto uma vez pro semana.

Entre os brasileiros que anotam os gastos, 36% o fazem no papel, 9% em planilhas e 7% em aplicativos de gestão de gastos. Escolha a forma que mais te convenha. Mas a dica de ouro é de fato anotar ou se organizar para pagar tudo no cartão – daí o próprio banco “anota” para você.

Passo 7

Repita os passos mês a mês até que o processo de fazer o orçamento e otimizar os gastos se torne natural. O objetivo é você gastar menos do que ganha e saber, diariamente, para onde o dinheiro está indo. Em outras palavras, não levar susto quando a fatura do cartão chegar. Se possível — vale fazer uma esforço –, tente colocar entre as despesas rotineiras um depósito na reserva de emergência, ainda que sejam, por exemplo, R$ 50.

Dificuldades mais comuns para acertar no orçamento: O autoconhecimento e a precisão para anotar qual é sua receita. Isso dificulta o processo de saber para onde vai o dinheiro e, mais importante, o quando se tem para gastar. Segundo o SPC, entre os brasileiros que adotam algum método de controle, 61% relatam dificuldades, principalmente, por terem uma renda variável (21%), pela falta de disciplina para anotar gastos com regularidade (20%) e por falta de tempo (7%).


*A primeira versão desta reportagem informou incorretamente que 70% dos brasileiros não faziam orçamento. Esse dado estava errado, e pedimos desculpas por isso. O trecho com problemas foi retirado.

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