Os fundos de crédito privado, que investem em títulos de dívidas emitidos por empresas e que são considerados uma alternativa para apimentar a renda fixa, passaram por maus bocados no período entre outubro e novembro do ano passado.

Essas aplicações enfrentaram uma forte queda na rentabilidade das debêntures (títulos de dívida de empresas negociados em Bolsa) durante um período de ajuste dos seus valores pelo mercado.

De dezembro para cá, entretanto, o retorno das debêntures mais negociadas melhorou. A avaliação de especialistas é que dar uma chance a essas aplicações pode valer a pena, dependendo do perfil do investidor.

Há fundos de crédito para todos os bolsos. O mais importante é fazer uma seleção cuidadosa de bons fundos que atuam no segmento e entender bem o risco que se está tomando.

Um alerta importante: o investimento direto em crédito privado é fortemente desaconselhado, já que são produtos altamente complexos e que não possuem cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). O FGC é o fundo privado que cobre algumas aplicações no valor de até R$ 250 mil em caso de quebra da instituição financeira.

Como funcionam os fundos de crédito privado? Eles são fundos de investimento que aplicam uma parte dos recursos dos cotistas em títulos de dívidas emitidos por empresas, como debêntures, CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários, que financia transações no mercado imobiliário) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio, que faz o mesmo em agronegócios).

Da mesma forma que o governo remunera aplicadores que compram títulos de sua dívida, o setor privado também capta recursos no mercado como uma forma de se financiar e investir em projetos.

Há vários tipos de remuneração: com base no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mais uma taxa prefixada, CDI (Certificado de Depósito Interbancário), CDI mais um prêmio (que é a forma mais comum atualmente) ou indexadas ao dólar.

Há diferentes tipos de risco de dívida de empresas? E diferentes remunerações? Sim. Comprar um título de dívida emitido pela Petrobras ou da Vale, por exemplo, é muito menos arriscado do que adquirir um papel de empresas com menor solidez no mercado. Como o risco é mais baixo, a remuneração também é menor.

“É importante olhar no regulamento dos fundos para saber em que tipo de papel investem. Há aqueles que só aplicam em dívidas de empresas high grade (com nota elevada), com um risco baixo de calote e, portanto uma remuneração pior”, explica o especialista em investimentos Lucas Taxweiller, da plataforma de investimentos digitais Magnetis.

Os fundos que aplicam em empresas de maior risco de calote provavelmente apresentarão um retorno maior, que é o pagamento pelo risco que o investidor está tomando. “E ainda há ainda aqueles que têm como estratégia misturar papeis de diferentes riscos. O mais importante é que o investidor entenda o fundo no qual está entrando, e conheça a experiência dos gestores, antes de fazer sua aplicação”, aconselha Taxweiller.

Em poucas palavras, há fundos de crédito privado para todos os bolsos e perfis. “Na média, os gestores de crédito privado almejam 105% do CDI. Mas dá para encontrar investimentos que pagam mais, desde que você esteja disposto a ter mais risco”, afirma Alvaro Pellegrino, sócio da gestora de investimentos digitais Monetus.

Esse tipo de fundo pode ser usado para diversificar o portfólio de investimentos? Sim. Os fundos de crédito privado mais conservadores, que investem em títulos de dívidas de empresas muito sólidas, são indicados para o investidor que aplica em renda fixa mas quer diversificar um pouco seus investimentos, conseguindo uma rentabilidade um pouco maior.

“É uma aplicação que faz parte do portfólio. Você não vai colocar tudo em um fundo de crédito privado, mas é um investimento que ajuda a reduzir a volatilidade da carteira”, avalia Pellegrino.

Como está a rentabilidade das debêntures e dos fundos de crédito? Dados do índice Idex, da gestora de recursos JGP, mostram que em outubro e novembro o retorno das debêntures mais líquidas (ou seja, as mais negociadas) se reduziu a menos que a rentabilidade do CDI, que é a referência da renda fixa.

Isso aconteceu porque muitas debêntures pagam o CDI mais um prêmio. Com a forte queda da taxa básica, a Selic, esse prêmio passou a representar cada vez menos retorno, o que fez muita gente resgatar seus investimentos.

Esse movimento bateu na rentabilidade dos fundos. Três das quatro categorias de fundos de crédito acompanhadas pela Anbima registraram rentabilidade negativa em novembro.

De dezembro para cá, após esse período de ajuste, o retorno melhorou. O Idex aponta uma rentabilidade média de 160% do CDI em dezembro, 184,6% em janeiro e 131,1% em fevereiro até agora. Em dezembro, último dado disponível da Anbima, a rentabilidade de três dessas categorias superou o CDI.

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