Seja por razões econômicas, seja pelo acesso cada vez mais fácil à informação, esperar até que aquela TV ou aparelho celular tão desejados entrem em promoção é cada vez mais comum entre os brasileiros.

Pesquisa conduzida pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostra que 71% dos consumidores esperaram descontos ou saldões, como a Black Friday, para comprar — pagando menos — bens que custam mais caro em 2019 (eletrodomésticos, celulares, eletrônicos, móveis e automóveis).

Em 2013, em levantamento anterior sobre o mesmo tema realizado pela entidade, um percentual menor (64% dos entrevistados) dizia aguardar descontos para comprar produtos.

As entrevistas foram feitas com 2.000 pessoas em 126 municípios, entre 19 e 22 de setembro do ano passado.

A espera para comprar na promoção está relacionada com a renda das pessoas? Sim. Na verdade, aguardar a hora da promoção é um hábito que cresceu em todas as classes entre 2013 e o ano passado. Mas quanto menor a renda familiar, maior o costume de esperar por saldos.

De acordo com a pesquisa, 75% dos brasileiros com renda familiar de até um salário mínimo esperam para comprar com desconto, enquanto o percentual entre aqueles com renda acima de cinco salários é menor, de 60%.

O brasileiro também está se preocupando mais com a garantia dos produtos adquiridos?  Sim. Outra mudança detectada pela pesquisa da CNI é que os consumidores estão cada vez mais atentos ao chamado “pós-venda” (garantia e atendimento ao cliente depois da venda): 74% dos entrevistados disseram que se importam com esse aspecto quando compram bens de maior valor, ante 65% em 2013.

Nesse caso, também vale a máxima de, quanto menor a renda, maior a preocupação.

Entre quem tem renda renda familiar de até um salário, 78% buscam informações sobre o relacionamento com o fabricante após a compra, percentual que cai para 69% no caso de famílias acima de cinco salários mínimos.

O consumidor de menor renda sabe que vai ficar com aquela TV por mais tempo. Tem que ter certeza que, se tiver problemas, a garantia resolverá durante um bom tempo”, avalia Renato da Fonseca, gerente executivo de pesquisa e competitividade da CNI.

Qual a razão do aumento no número de pessoas que esperam pelos saldões e que pesquisam mais sobre a garantia? Isso tem a ver com a crise econômica e também com maior quantidade de informações disponíveis, consequência do uso intensivo da tecnologia nos últimos anos.

“São dois efeitos. A crise tem um impacto forte, já que a renda das famílias cai e há muitas pessoas desempregadas. É uma forma de economizar nas compras”, afirma Fonseca, da CNI. “Mas a própria facilidade de conseguir informação sobre preços pela internet também tem bastante peso”.

E o brasileiro pechincha bastante na hora de comprar? Sim. A maioria dos consumidores tenta negociar um preço menor: 81% dos pesquisados, percentual acima dos 78% que responderam sim a essa pergunta em 2013.

Uma curiosidade é que, quanto mais jovem, menos interessado em pechinchar: entre quem tem entre 16 e 24 anos, o hábito de negociar preço atingiu 73%. No caso de quem tem renda familiar maior que cinco salários, o hábito também é menos disseminado: 70% dos consumidores.

“Pechinchar é um hábito que varia muito de cultura para cultura. Tem sociedade em que o vendedor até se ofende se o cliente não pechinchar. No Brasil essa atitude não era tão disseminada, mas o consumidor está descobrindo o poder que tem na hora da compra”, afirma. “Isso também tem a ver com a tecnologia: ele chega na loja e consegue ver quanto as outras lojas estão cobrando, e negocia na hora com o vendedor”.

E quais os fatores mais importantes na decisão de compra? O preço aparece em primeiro lugar, citado por 49% dos entrevistados. Em seguida, aparecem qualidade e durabilidade do produto (47%) e a marca ou fabricante (34% dos ouvidos).

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